Olhos e Ouvidos

Glaucoma: Sintomas, Tipos, Causas e Tratamento

Equipa Sintomas.pt 18 de abril de 2026 #glaucoma #pressão intraocular #nervo óptico
Ilustração do olho humano com representação do nervo óptico e pressão intraocular elevada no glaucoma

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

Aviso médico: Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico profissional. Em caso de dúvida sobre os seus sintomas oculares, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico. Emergências: 112.

Glaucoma: Sintomas, Tipos, Causas e Como Proteger a Sua Visão

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo e afeta mais de 100 mil portugueses, com estimativas que apontam para o dobro se incluirmos os casos não diagnosticados. Em Portugal, a Semana Mundial do Glaucoma — celebrada em março — voltou a alertar para o facto de que metade das pessoas com glaucoma desconhecem que têm a doença.

A razão é preocupante: na sua forma mais comum, o glaucoma progride sem dor, sem vermelhidão e sem alterações óbvias da visão durante anos. Quando os sintomas se tornam percetíveis, o dano no nervo óptico pode já ser significativo e irreversível.

Neste guia explicamos o que é o glaucoma, os diferentes tipos e os seus sintomas — incluindo os sinais de alerta que não devem ser ignorados —, os fatores de risco, como é feito o diagnóstico e o que o sistema de saúde em Portugal oferece para o seu tratamento.


O Que É o Glaucoma e Como Danifica a Visão

O glaucoma não é uma única doença, mas um grupo de doenças que têm em comum o dano progressivo no nervo óptico — o cabo de fibras nervosas que transmite as imagens captadas pela retina ao cérebro. Quando estas fibras morrem, a informação visual deixa de ser transmitida corretamente e a visão perde-se de forma definitiva.

Na grande maioria dos casos, este dano está associado a uma pressão intraocular (PIO) elevada. O olho produz continuamente um líquido chamado humor aquoso, que circula dentro do olho e drena através de um sistema de canais na zona de transição entre a íris e a córnea (o ângulo camerular). Quando esta drenagem não funciona bem, o líquido acumula-se, a pressão sobe e o nervo óptico é comprimido e lesado.

A pressão intraocular normal situa-se entre 10 e 21 mmHg. Valores acima de 21 mmHg chamam-se hipertensão ocular e constituem um fator de risco importante — embora, como veremos, o glaucoma possa ocorrer mesmo com PIO normal.

O dano no nervo óptico começa nas fibras periféricas, o que explica por que a perda de campo visual começa na periferia (visão lateral) e progride em direção ao centro. Esta progressão lenta e assimétrica pode passar despercebida durante muito tempo.


Tipos de Glaucoma: Sintomas e Características

Glaucoma Primário de Ângulo Aberto: O “Ladrão Silencioso”

O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) é o tipo mais comum, correspondendo a cerca de 70-80% de todos os casos. Em Portugal, é a forma predominante na população caucasiana adulta.

Chama-se “de ângulo aberto” porque o ângulo de drenagem do humor aquoso está anatomicamente aberto — mas funciona mal, como um filtro entupido. A pressão sobe de forma lenta e progressiva ao longo de meses ou anos.

Como se manifesta:

  • Fases iniciais: Assintomático. A pessoa não sente nada.
  • Fases intermédias: Aparecimento gradual de escotomas (manchas cegas) no campo visual periférico, que frequentemente não são notados porque o cérebro “preenche” as lacunas.
  • Fases avançadas: Redução progressiva do campo visual (visão em “túnel”), dificuldade em tarefas que requerem visão lateral (conduzir, descer escadas), e eventualmente perda central da visão.

O problema é que, quando a pessoa percebe que “algo não está bem” com a visão, já pode ter perdido uma parte significativa das fibras do nervo óptico. O diagnóstico precoce, antes do aparecimento de sintomas, é fundamental.

Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado: A Emergência Ocular

O glaucoma agudo de ângulo fechado é menos comum (cerca de 10-15% dos casos) mas dramaticamente diferente na sua apresentação. Ocorre quando o ângulo de drenagem se fecha de forma súbita, bloqueando completamente a saída do humor aquoso. A pressão intraocular pode subir para valores extremos (40-70 mmHg ou mais) em minutos ou horas.

É uma emergência médica. Os sintomas são:

  • Dor ocular intensa e súbita — frequentemente descrita como insuportável
  • Visão turva ou embaciada de início súbito
  • Halos coloridos à volta de fontes de luz (candeeiros, ecrãs)
  • Olho vermelho — vasos superficiais dilatados
  • Midríase — pupila semi-dilatada e pouco reativa à luz
  • Dor de cabeça intensa no lado do olho afetado
  • Náuseas e vómitos — sintomas sistémicos frequentes que podem confundir com patologia digestiva

Se tiver estes sintomas, procure a urgência hospitalar imediatamente. Cada hora sem tratamento pode causar danos permanentes no nervo óptico.

Como Reconhecer o Glaucoma Agudo vs. Outras Urgências Oculares?

CaracterísticaGlaucoma AgudoConjuntivite GraveUveíte Anterior
Dor ocularIntensa, profundaArdor superficialModerada a intensa
VisãoTurva, halosGeralmente mantidaTurva
Olho vermelhoSim (ciliar)Sim (conjuntival)Sim (periquerático)
PupilaSemi-dilatada, fixaNormalPequena (miose)
Náuseas/vómitosFrequentesNãoRaras
UrgênciaMáxima — urgênciaModeradaAlta

Se tiver dúvidas sobre olho vermelho com alteração da visão, trate sempre como urgência e ligue 112 ou vá a uma urgência hospitalar com serviço de oftalmologia.

Glaucoma de Tensão Normal

O glaucoma de tensão normal (GTN) é uma forma que afeta pessoas cujo nervo óptico se danifica mesmo com pressão intraocular dentro dos valores normais (≤ 21 mmHg). Os sintomas e a progressão são semelhantes ao GPAA — assintomático nas fases iniciais, com perda progressiva de campo visual.

O GTN é mais frequente em pessoas de ascendência asiática e em mulheres. Pensa-se que pode estar relacionado com alterações na irrigação sanguínea do nervo óptico, pressão arterial baixa, síndrome de apneia do sono ou enxaquecas. Se sofre de apneia do sono ou enxaquecas e tem história familiar de glaucoma, informe o seu oftalmologista.

Glaucoma Congénito e Juvenil

O glaucoma congénito é raro e presente desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Manifesta-se por olhos grandes e proeminentes (buftalmia), lacrimejo excessivo, fotofobia e opacidade da córnea. Requer tratamento cirúrgico urgente.

O glaucoma juvenil surge entre os 3 e os 35 anos, geralmente com forte componente hereditária.

Glaucoma Secundário

O glaucoma secundário surge como consequência de outras condições ou fatores:

  • Uso prolongado de corticosteróides (em colírios, sistémicos ou inalados) — o “glaucoma dos corticóides”
  • Trauma ocular — o glaucoma pode surgir anos após um traumatismo
  • Uveíte crónica (inflamação interna do olho)
  • Diabetes — a retinopatia diabética avançada pode causar glaucoma neovascular
  • Pseudoesfoliação — depósitos de material proteico no ângulo de drenagem

Fatores de Risco: Quem Deve Fazer Rastreio?

Nem todos têm o mesmo risco de desenvolver glaucoma. A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia e a DGS identificam os seguintes grupos de maior risco:

Fator de RiscoAumento do Risco
Idade > 60 anos6× mais frequente do que < 40 anos
História familiar (1.º grau)4 a 9× maior risco
Pressão intraocular elevadaPrincipal fator modificável
Raça negra ou africanaRisco 3-4× superior, progressão mais rápida
Miopia elevada (> -6D)Nervo óptico mais vulnerável
Uso crónico de corticosteróidesGlaucoma secundário iatrogénico
Diabetes mellitusRisco aumentado, especialmente glaucoma neovascular
Hipertensão arterial sistémicaAssociação com irrigação deficiente do nervo óptico
Tensão arterial baixa noturnaFator de risco para GTN
Síndrome de pseudoesfoliaçãoMuito prevalente no norte de Portugal e Escandinávia

Se se reconhece em vários destes fatores, deve pedir consulta de oftalmologia para rastreio, mesmo sem qualquer sintoma.


Glaucoma em Grupos Específicos

Glaucoma nos Idosos

O glaucoma primário de ângulo aberto é predominantemente uma doença do envelhecimento — a sua prevalência aumenta de menos de 1% antes dos 40 anos para cerca de 5-10% após os 70 anos. Em Portugal, com uma população cada vez mais envelhecida, o glaucoma é um problema de saúde pública crescente.

Nos idosos, o glaucoma pode coexistir com cataratas (embaciamento do cristalino) e com síndrome do olho seco, tornando o diagnóstico mais complexo. A aderência ao tratamento com colírios diários pode ser difícil por questões de mobilidade, memória ou custo. É importante que os familiares ajudem a monitorizar a adesão terapêutica.

Glaucoma em Jovens e Adultos de Meia-Idade

Embora menos comum, o glaucoma pode surgir em pessoas mais jovens, especialmente com fatores de risco familiares, miopia elevada ou uso de corticosteróides. Um jovem míope que usa colírios de corticóide sem prescrição para a conjuntivite — prática que infelizmente existe — tem risco acrescido de desenvolver glaucoma secundário. Nunca use colírios com corticóides sem indicação médica.

Glaucoma e Gravidez

O glaucoma pré-existente requer ajuste do tratamento durante a gravidez, pois alguns colírios hipotensores podem ter efeitos no feto. Mulheres com glaucoma que planeiam engravidar devem discutir com o seu oftalmologista a adaptação do esquema terapêutico antes da conceção.


Diagnóstico do Glaucoma: Exames Fundamentais

O diagnóstico de glaucoma é feito pelo oftalmologista através de um conjunto de exames que avaliam os diferentes aspetos da doença:

Medição da Pressão Intraocular (Tonometria)

A medição da pressão ocular — normalmente com tonómetro de aplanação de Goldman ou com tonometria de sopro — é o exame mais básico. Valores superiores a 21 mmHg são suspeitos, mas lembre-se: a PIO normal não exclui glaucoma (glaucoma de tensão normal).

Avaliação do Nervo Óptico (Fundoscopia)

O exame do fundo do olho (fundoscopia) permite visualizar diretamente o nervo óptico e avaliar a escavação central (cup-to-disc ratio). Uma escavação alargada ou assimétrica entre os dois olhos é um sinal de suspeita.

Perimetria Computorizada (Campo Visual)

A perimetria avalia o campo visual funcional — identifica as áreas onde a visão está comprometida. É fundamental para monitorizar a progressão da doença ao longo do tempo.

OCT do Nervo Óptico e da Camada de Fibras Nervosas

A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é um exame de imagem que mede com precisão a espessura da camada de fibras nervosas da retina em redor do nervo óptico. Permite detetar alterações estruturais precocemente, antes de aparecerem defeitos no campo visual.

Gonioscopia

A gonioscopia avalia o ângulo camerular — permite distinguir o glaucoma de ângulo aberto do de ângulo fechado e identificar causas de glaucoma secundário.


Quando Consultar um Médico

Sinais de Emergência — Ligue 112 ou Vá à Urgência

Os seguintes sintomas podem indicar glaucoma agudo de ângulo fechado, que é uma emergência ocular:

  • Dor ocular intensa e súbita, de início em minutos ou horas
  • Visão turva súbita num olho
  • Halos coloridos à volta de luzes (em círculo, como um arco-íris)
  • Olho vermelho com pupila semi-dilatada e pouco reativa
  • Dor de cabeça do mesmo lado do olho afetado
  • Náuseas ou vómitos sem causa aparente

Não espere. Procure urgência hospitalar com serviço de oftalmologia imediatamente.

Consulte o Oftalmologista (Não Urgente)

Marque consulta de oftalmologia para rastreio de glaucoma se:

  • Tem mais de 40 anos e nunca fez medição da pressão ocular
  • Tem familiares em primeiro grau com glaucoma
  • Tem miopia elevada, diabetes ou usa corticosteróides cronicamente
  • Notou alguma dificuldade em tarefas que requerem visão periférica (conduzir, baixar degraus)
  • O seu oftalmologista identificou pressão ocular elevada numa consulta anterior

Contactos úteis:

  • SNS 24: 808 24 24 24 (esclarecimento de dúvidas, 24h/dia)
  • Consultas de oftalmologia no SNS: marque através do médico de família ou Linha SNS 24
  • Emergência: 112

Tratamento do Glaucoma em Portugal

O objetivo do tratamento do glaucoma é reduzir a pressão intraocular para um nível que previna ou abrande a progressão do dano no nervo óptico. A perda de visão já ocorrida não é recuperável — por isso o tratamento é essencialmente preventivo da progressão.

Colírios Hipotensores Oculares

Os colírios são habitualmente a primeira linha de tratamento do GPAA. As principais classes disponíveis em Portugal incluem:

  • Análogos das prostaglandinas (latanoprost, bimatoprost, travoprost) — a classe mais eficaz, geralmente em dose única ao deitar; aumentam a drenagem uveoscleral
  • Betabloqueantes (timolol, betaxolol) — muito utilizados, mas contraindicados em asma e bloqueios cardíacos
  • Inibidores da anidrase carbónica (dorzolamida, brinzolamida) — reduzem a produção de humor aquoso
  • Alfa-agonistas (brimonidina) — ação dupla (reduzem produção e aumentam drenagem)
  • Colírios combinados — formulações que combinam duas classes num único frasco para melhorar a aderência

O tratamento com colírios é crónico — deve ser mantido indefinidamente. É essencial não interromper o tratamento, mesmo sem sintomas.

Tratamento a Laser

Quando os colírios são insuficientes ou mal tolerados, ou como alternativa inicial em alguns casos:

  • Trabeculoplastia a laser (SLT ou ALT) — aplicação de laser no ângulo de drenagem para melhorar o fluxo do humor aquoso; eficaz no GPAA, com duração de efeito de 1 a 5 anos
  • Iridotomia a laser — criação de uma abertura na íris para prevenir o fecho do ângulo; tratamento de eleição no glaucoma de ângulo fechado e nos olhos com risco de fecho

Cirurgia

Quando os colírios e o laser são insuficientes para controlar a progressão:

  • Trabeculectomia — cria uma nova via de drenagem do humor aquoso; o procedimento cirúrgico mais clássico
  • Implantes de drenagem (válvulas de Ahmed, Molteno) — dispositivos que criam uma via de drenagem artificial
  • Cirurgia minimamente invasiva do glaucoma (MIGS) — procedimentos menos invasivos com menor risco de complicações, de utilização crescente em Portugal

O tratamento cirúrgico não “cura” o glaucoma, mas pode controlar melhor a pressão e reduzir ou eliminar a necessidade de colírios.


Prevenção da Cegueira por Glaucoma

O glaucoma não pode ser prevenido, mas a cegueira causada pelo glaucoma pode ser evitada com deteção precoce e tratamento adequado. As recomendações para Portugal são:

  • Rastreio a partir dos 40 anos em pessoas sem fatores de risco (medição da PIO e avaliação do nervo óptico)
  • Rastreio a partir dos 35 anos em pessoas com história familiar ou outros fatores de risco
  • Rastreio a partir dos 30 anos em pessoas de raça negra (maior prevalência e progressão mais precoce)
  • Não interromper os colírios prescritos sem indicação médica
  • Comparecer às consultas de acompanhamento programadas — o glaucoma requer monitorização periódica
  • Informar o médico sobre todos os medicamentos tomados, incluindo colírios adquiridos sem receita

Se é diabético, o controlo da glicémia é fundamental para prevenir complicações oculares, incluindo o glaucoma neovascular. Saiba mais sobre os sintomas de diabetes e a importância do rastreio ocular anual nesta doença.

Da mesma forma, a tensão arterial alta e os triglicéridos altos podem afetar a irrigação do nervo óptico — o controlo das doenças cardiovasculares contribui também para a saúde ocular.


Glaucoma vs. Cataratas: Como Distinguir?

Uma das confusões mais comuns é entre glaucoma e cataratas, já que ambas são doenças oculares frequentes em pessoas mais velhas. A tabela seguinte resume as diferenças principais:

CaracterísticaGlaucomaCataratas
O que é afetadoNervo ópticoCristalino (lente do olho)
Tipo de perda de visãoCampo visual periféricoVisão geral turva e embaciada
ProgressãoSilenciosa, sem dor (GPAA)Gradual, sem dor
Reversível?Não — dano permanenteSim — cirurgia corrige
TratamentoColírios, laser, cirurgiaCirurgia (substituição do cristalino)
Fatores de riscoPIO, hereditariedade, raçaIdade, exposição solar, tabagismo
DeteçãoExame especializado (tonometria, OCT)Fundoscopia, biomicroscopia

Importa saber que o glaucoma e as cataratas podem coexistir no mesmo olho, o que requer planeamento cuidadoso do tratamento. A cirurgia de cataratas pode, em alguns casos, ter um efeito benéfico na pressão intraocular.


Perguntas Frequentes sobre Glaucoma

O glaucoma tem cura?

O glaucoma não tem cura no sentido de reversão completa dos danos — as fibras nervosas perdidas não regeneram. No entanto, com tratamento adequado e precoce, é possível controlar a doença e preservar a visão durante toda a vida. Muitas pessoas com glaucoma bem controlado mantêm boa qualidade de vida e visão funcional.

Tenho pressão ocular de 23 mmHg. Tenho glaucoma?

Não necessariamente. A pressão ocular elevada (hipertensão ocular) é um fator de risco para o glaucoma, mas não é sinónimo de glaucoma. Para confirmar o diagnóstico, o oftalmologista avalia também o nervo óptico, o campo visual e a espessura da córnea (que influencia a leitura da pressão). O seu oftalmologista é quem deve interpretar os resultados no contexto clínico global.

Os colírios para o glaucoma têm efeitos secundários?

Sim. Os colírios de análogos das prostaglandinas (os mais usados) podem causar escurecimento da íris, crescimento das pestanas, vermelhidão e sensação de queimadura. Os betabloqueantes podem ter efeitos sistémicos como bradicardia e broncospasmo (cuidado em asmáticos). Fale sempre com o seu oftalmologista sobre os efeitos que está a sentir — existem alternativas se um colírio for mal tolerado.

O glaucoma pode afetar os dois olhos?

O GPAA afeta habitualmente os dois olhos, embora possa progredir de forma assimétrica (um olho pior que o outro). O glaucoma agudo de ângulo fechado começa habitualmente num olho, mas o olho contralateral tem risco elevado — pelo que pode ser tratado preventivamente com iridotomia a laser.


Conclusão: O Glaucoma Exige Vigilância Ativa

O glaucoma é uma doença traiçoeira precisamente porque não avisa quando está a destruir silenciosamente o nervo óptico. Em Portugal, estima-se que pelo menos 50.000 pessoas tenham glaucoma sem o saber — e a cegueira que causará nesses casos era evitável.

A mensagem central é simples: o rastreio regular salva a visão. Se tem mais de 40 anos, fatores de risco como história familiar, diabetes ou miopia elevada, peça ao seu médico de família uma referenciação para consulta de oftalmologia ou dirija-se diretamente a uma clínica privada para medição da pressão ocular.

Se já tem diagnóstico de glaucoma, não interrompa os colírios e não falte às consultas de acompanhamento — a progressão controlada é a diferença entre preservar a visão e perdê-la.

Para qualquer dúvida sobre os seus olhos, contacte o SNS 24 (808 24 24 24). Em situação de urgência ocular — dor intensa, visão turva súbita, halos à volta de luzes —, ligue 112 ou vá imediatamente à urgência hospitalar.


Artigo elaborado pela Equipa Sintomas.pt com base em informação da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), Direção-Geral da Saúde (DGS), Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Organização Mundial de Saúde (OMS). Última atualização: abril de 2026.

Ja fez analises ao sangue?

Faca upload das suas analises clinicas e descubra o que os resultados significam com a nossa plataforma de saude.

Analisar Resultados

Tem duvidas sobre os seus sintomas?

Use a nossa ferramenta de analise de sintomas com inteligencia artificial.

Verificar Sintomas