Aviso médico: Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico profissional. Em caso de dúvida sobre os seus sintomas oculares, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico. Emergências: 112.
Glaucoma: Sintomas, Tipos, Causas e Como Proteger a Sua Visão
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo e afeta mais de 100 mil portugueses, com estimativas que apontam para o dobro se incluirmos os casos não diagnosticados. Em Portugal, a Semana Mundial do Glaucoma — celebrada em março — voltou a alertar para o facto de que metade das pessoas com glaucoma desconhecem que têm a doença.
A razão é preocupante: na sua forma mais comum, o glaucoma progride sem dor, sem vermelhidão e sem alterações óbvias da visão durante anos. Quando os sintomas se tornam percetíveis, o dano no nervo óptico pode já ser significativo e irreversível.
Neste guia explicamos o que é o glaucoma, os diferentes tipos e os seus sintomas — incluindo os sinais de alerta que não devem ser ignorados —, os fatores de risco, como é feito o diagnóstico e o que o sistema de saúde em Portugal oferece para o seu tratamento.
O Que É o Glaucoma e Como Danifica a Visão
O glaucoma não é uma única doença, mas um grupo de doenças que têm em comum o dano progressivo no nervo óptico — o cabo de fibras nervosas que transmite as imagens captadas pela retina ao cérebro. Quando estas fibras morrem, a informação visual deixa de ser transmitida corretamente e a visão perde-se de forma definitiva.
Na grande maioria dos casos, este dano está associado a uma pressão intraocular (PIO) elevada. O olho produz continuamente um líquido chamado humor aquoso, que circula dentro do olho e drena através de um sistema de canais na zona de transição entre a íris e a córnea (o ângulo camerular). Quando esta drenagem não funciona bem, o líquido acumula-se, a pressão sobe e o nervo óptico é comprimido e lesado.
A pressão intraocular normal situa-se entre 10 e 21 mmHg. Valores acima de 21 mmHg chamam-se hipertensão ocular e constituem um fator de risco importante — embora, como veremos, o glaucoma possa ocorrer mesmo com PIO normal.
O dano no nervo óptico começa nas fibras periféricas, o que explica por que a perda de campo visual começa na periferia (visão lateral) e progride em direção ao centro. Esta progressão lenta e assimétrica pode passar despercebida durante muito tempo.
Tipos de Glaucoma: Sintomas e Características
Glaucoma Primário de Ângulo Aberto: O “Ladrão Silencioso”
O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) é o tipo mais comum, correspondendo a cerca de 70-80% de todos os casos. Em Portugal, é a forma predominante na população caucasiana adulta.
Chama-se “de ângulo aberto” porque o ângulo de drenagem do humor aquoso está anatomicamente aberto — mas funciona mal, como um filtro entupido. A pressão sobe de forma lenta e progressiva ao longo de meses ou anos.
Como se manifesta:
- Fases iniciais: Assintomático. A pessoa não sente nada.
- Fases intermédias: Aparecimento gradual de escotomas (manchas cegas) no campo visual periférico, que frequentemente não são notados porque o cérebro “preenche” as lacunas.
- Fases avançadas: Redução progressiva do campo visual (visão em “túnel”), dificuldade em tarefas que requerem visão lateral (conduzir, descer escadas), e eventualmente perda central da visão.
O problema é que, quando a pessoa percebe que “algo não está bem” com a visão, já pode ter perdido uma parte significativa das fibras do nervo óptico. O diagnóstico precoce, antes do aparecimento de sintomas, é fundamental.
Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado: A Emergência Ocular
O glaucoma agudo de ângulo fechado é menos comum (cerca de 10-15% dos casos) mas dramaticamente diferente na sua apresentação. Ocorre quando o ângulo de drenagem se fecha de forma súbita, bloqueando completamente a saída do humor aquoso. A pressão intraocular pode subir para valores extremos (40-70 mmHg ou mais) em minutos ou horas.
É uma emergência médica. Os sintomas são:
- Dor ocular intensa e súbita — frequentemente descrita como insuportável
- Visão turva ou embaciada de início súbito
- Halos coloridos à volta de fontes de luz (candeeiros, ecrãs)
- Olho vermelho — vasos superficiais dilatados
- Midríase — pupila semi-dilatada e pouco reativa à luz
- Dor de cabeça intensa no lado do olho afetado
- Náuseas e vómitos — sintomas sistémicos frequentes que podem confundir com patologia digestiva
Se tiver estes sintomas, procure a urgência hospitalar imediatamente. Cada hora sem tratamento pode causar danos permanentes no nervo óptico.
Como Reconhecer o Glaucoma Agudo vs. Outras Urgências Oculares?
| Característica | Glaucoma Agudo | Conjuntivite Grave | Uveíte Anterior |
|---|---|---|---|
| Dor ocular | Intensa, profunda | Ardor superficial | Moderada a intensa |
| Visão | Turva, halos | Geralmente mantida | Turva |
| Olho vermelho | Sim (ciliar) | Sim (conjuntival) | Sim (periquerático) |
| Pupila | Semi-dilatada, fixa | Normal | Pequena (miose) |
| Náuseas/vómitos | Frequentes | Não | Raras |
| Urgência | Máxima — urgência | Moderada | Alta |
Se tiver dúvidas sobre olho vermelho com alteração da visão, trate sempre como urgência e ligue 112 ou vá a uma urgência hospitalar com serviço de oftalmologia.
Glaucoma de Tensão Normal
O glaucoma de tensão normal (GTN) é uma forma que afeta pessoas cujo nervo óptico se danifica mesmo com pressão intraocular dentro dos valores normais (≤ 21 mmHg). Os sintomas e a progressão são semelhantes ao GPAA — assintomático nas fases iniciais, com perda progressiva de campo visual.
O GTN é mais frequente em pessoas de ascendência asiática e em mulheres. Pensa-se que pode estar relacionado com alterações na irrigação sanguínea do nervo óptico, pressão arterial baixa, síndrome de apneia do sono ou enxaquecas. Se sofre de apneia do sono ou enxaquecas e tem história familiar de glaucoma, informe o seu oftalmologista.
Glaucoma Congénito e Juvenil
O glaucoma congénito é raro e presente desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Manifesta-se por olhos grandes e proeminentes (buftalmia), lacrimejo excessivo, fotofobia e opacidade da córnea. Requer tratamento cirúrgico urgente.
O glaucoma juvenil surge entre os 3 e os 35 anos, geralmente com forte componente hereditária.
Glaucoma Secundário
O glaucoma secundário surge como consequência de outras condições ou fatores:
- Uso prolongado de corticosteróides (em colírios, sistémicos ou inalados) — o “glaucoma dos corticóides”
- Trauma ocular — o glaucoma pode surgir anos após um traumatismo
- Uveíte crónica (inflamação interna do olho)
- Diabetes — a retinopatia diabética avançada pode causar glaucoma neovascular
- Pseudoesfoliação — depósitos de material proteico no ângulo de drenagem
Fatores de Risco: Quem Deve Fazer Rastreio?
Nem todos têm o mesmo risco de desenvolver glaucoma. A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia e a DGS identificam os seguintes grupos de maior risco:
| Fator de Risco | Aumento do Risco |
|---|---|
| Idade > 60 anos | 6× mais frequente do que < 40 anos |
| História familiar (1.º grau) | 4 a 9× maior risco |
| Pressão intraocular elevada | Principal fator modificável |
| Raça negra ou africana | Risco 3-4× superior, progressão mais rápida |
| Miopia elevada (> -6D) | Nervo óptico mais vulnerável |
| Uso crónico de corticosteróides | Glaucoma secundário iatrogénico |
| Diabetes mellitus | Risco aumentado, especialmente glaucoma neovascular |
| Hipertensão arterial sistémica | Associação com irrigação deficiente do nervo óptico |
| Tensão arterial baixa noturna | Fator de risco para GTN |
| Síndrome de pseudoesfoliação | Muito prevalente no norte de Portugal e Escandinávia |
Se se reconhece em vários destes fatores, deve pedir consulta de oftalmologia para rastreio, mesmo sem qualquer sintoma.
Glaucoma em Grupos Específicos
Glaucoma nos Idosos
O glaucoma primário de ângulo aberto é predominantemente uma doença do envelhecimento — a sua prevalência aumenta de menos de 1% antes dos 40 anos para cerca de 5-10% após os 70 anos. Em Portugal, com uma população cada vez mais envelhecida, o glaucoma é um problema de saúde pública crescente.
Nos idosos, o glaucoma pode coexistir com cataratas (embaciamento do cristalino) e com síndrome do olho seco, tornando o diagnóstico mais complexo. A aderência ao tratamento com colírios diários pode ser difícil por questões de mobilidade, memória ou custo. É importante que os familiares ajudem a monitorizar a adesão terapêutica.
Glaucoma em Jovens e Adultos de Meia-Idade
Embora menos comum, o glaucoma pode surgir em pessoas mais jovens, especialmente com fatores de risco familiares, miopia elevada ou uso de corticosteróides. Um jovem míope que usa colírios de corticóide sem prescrição para a conjuntivite — prática que infelizmente existe — tem risco acrescido de desenvolver glaucoma secundário. Nunca use colírios com corticóides sem indicação médica.
Glaucoma e Gravidez
O glaucoma pré-existente requer ajuste do tratamento durante a gravidez, pois alguns colírios hipotensores podem ter efeitos no feto. Mulheres com glaucoma que planeiam engravidar devem discutir com o seu oftalmologista a adaptação do esquema terapêutico antes da conceção.
Diagnóstico do Glaucoma: Exames Fundamentais
O diagnóstico de glaucoma é feito pelo oftalmologista através de um conjunto de exames que avaliam os diferentes aspetos da doença:
Medição da Pressão Intraocular (Tonometria)
A medição da pressão ocular — normalmente com tonómetro de aplanação de Goldman ou com tonometria de sopro — é o exame mais básico. Valores superiores a 21 mmHg são suspeitos, mas lembre-se: a PIO normal não exclui glaucoma (glaucoma de tensão normal).
Avaliação do Nervo Óptico (Fundoscopia)
O exame do fundo do olho (fundoscopia) permite visualizar diretamente o nervo óptico e avaliar a escavação central (cup-to-disc ratio). Uma escavação alargada ou assimétrica entre os dois olhos é um sinal de suspeita.
Perimetria Computorizada (Campo Visual)
A perimetria avalia o campo visual funcional — identifica as áreas onde a visão está comprometida. É fundamental para monitorizar a progressão da doença ao longo do tempo.
OCT do Nervo Óptico e da Camada de Fibras Nervosas
A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é um exame de imagem que mede com precisão a espessura da camada de fibras nervosas da retina em redor do nervo óptico. Permite detetar alterações estruturais precocemente, antes de aparecerem defeitos no campo visual.
Gonioscopia
A gonioscopia avalia o ângulo camerular — permite distinguir o glaucoma de ângulo aberto do de ângulo fechado e identificar causas de glaucoma secundário.
Quando Consultar um Médico
Sinais de Emergência — Ligue 112 ou Vá à Urgência
Os seguintes sintomas podem indicar glaucoma agudo de ângulo fechado, que é uma emergência ocular:
- Dor ocular intensa e súbita, de início em minutos ou horas
- Visão turva súbita num olho
- Halos coloridos à volta de luzes (em círculo, como um arco-íris)
- Olho vermelho com pupila semi-dilatada e pouco reativa
- Dor de cabeça do mesmo lado do olho afetado
- Náuseas ou vómitos sem causa aparente
Não espere. Procure urgência hospitalar com serviço de oftalmologia imediatamente.
Consulte o Oftalmologista (Não Urgente)
Marque consulta de oftalmologia para rastreio de glaucoma se:
- Tem mais de 40 anos e nunca fez medição da pressão ocular
- Tem familiares em primeiro grau com glaucoma
- Tem miopia elevada, diabetes ou usa corticosteróides cronicamente
- Notou alguma dificuldade em tarefas que requerem visão periférica (conduzir, baixar degraus)
- O seu oftalmologista identificou pressão ocular elevada numa consulta anterior
Contactos úteis:
- SNS 24: 808 24 24 24 (esclarecimento de dúvidas, 24h/dia)
- Consultas de oftalmologia no SNS: marque através do médico de família ou Linha SNS 24
- Emergência: 112
Tratamento do Glaucoma em Portugal
O objetivo do tratamento do glaucoma é reduzir a pressão intraocular para um nível que previna ou abrande a progressão do dano no nervo óptico. A perda de visão já ocorrida não é recuperável — por isso o tratamento é essencialmente preventivo da progressão.
Colírios Hipotensores Oculares
Os colírios são habitualmente a primeira linha de tratamento do GPAA. As principais classes disponíveis em Portugal incluem:
- Análogos das prostaglandinas (latanoprost, bimatoprost, travoprost) — a classe mais eficaz, geralmente em dose única ao deitar; aumentam a drenagem uveoscleral
- Betabloqueantes (timolol, betaxolol) — muito utilizados, mas contraindicados em asma e bloqueios cardíacos
- Inibidores da anidrase carbónica (dorzolamida, brinzolamida) — reduzem a produção de humor aquoso
- Alfa-agonistas (brimonidina) — ação dupla (reduzem produção e aumentam drenagem)
- Colírios combinados — formulações que combinam duas classes num único frasco para melhorar a aderência
O tratamento com colírios é crónico — deve ser mantido indefinidamente. É essencial não interromper o tratamento, mesmo sem sintomas.
Tratamento a Laser
Quando os colírios são insuficientes ou mal tolerados, ou como alternativa inicial em alguns casos:
- Trabeculoplastia a laser (SLT ou ALT) — aplicação de laser no ângulo de drenagem para melhorar o fluxo do humor aquoso; eficaz no GPAA, com duração de efeito de 1 a 5 anos
- Iridotomia a laser — criação de uma abertura na íris para prevenir o fecho do ângulo; tratamento de eleição no glaucoma de ângulo fechado e nos olhos com risco de fecho
Cirurgia
Quando os colírios e o laser são insuficientes para controlar a progressão:
- Trabeculectomia — cria uma nova via de drenagem do humor aquoso; o procedimento cirúrgico mais clássico
- Implantes de drenagem (válvulas de Ahmed, Molteno) — dispositivos que criam uma via de drenagem artificial
- Cirurgia minimamente invasiva do glaucoma (MIGS) — procedimentos menos invasivos com menor risco de complicações, de utilização crescente em Portugal
O tratamento cirúrgico não “cura” o glaucoma, mas pode controlar melhor a pressão e reduzir ou eliminar a necessidade de colírios.
Prevenção da Cegueira por Glaucoma
O glaucoma não pode ser prevenido, mas a cegueira causada pelo glaucoma pode ser evitada com deteção precoce e tratamento adequado. As recomendações para Portugal são:
- Rastreio a partir dos 40 anos em pessoas sem fatores de risco (medição da PIO e avaliação do nervo óptico)
- Rastreio a partir dos 35 anos em pessoas com história familiar ou outros fatores de risco
- Rastreio a partir dos 30 anos em pessoas de raça negra (maior prevalência e progressão mais precoce)
- Não interromper os colírios prescritos sem indicação médica
- Comparecer às consultas de acompanhamento programadas — o glaucoma requer monitorização periódica
- Informar o médico sobre todos os medicamentos tomados, incluindo colírios adquiridos sem receita
Se é diabético, o controlo da glicémia é fundamental para prevenir complicações oculares, incluindo o glaucoma neovascular. Saiba mais sobre os sintomas de diabetes e a importância do rastreio ocular anual nesta doença.
Da mesma forma, a tensão arterial alta e os triglicéridos altos podem afetar a irrigação do nervo óptico — o controlo das doenças cardiovasculares contribui também para a saúde ocular.
Glaucoma vs. Cataratas: Como Distinguir?
Uma das confusões mais comuns é entre glaucoma e cataratas, já que ambas são doenças oculares frequentes em pessoas mais velhas. A tabela seguinte resume as diferenças principais:
| Característica | Glaucoma | Cataratas |
|---|---|---|
| O que é afetado | Nervo óptico | Cristalino (lente do olho) |
| Tipo de perda de visão | Campo visual periférico | Visão geral turva e embaciada |
| Progressão | Silenciosa, sem dor (GPAA) | Gradual, sem dor |
| Reversível? | Não — dano permanente | Sim — cirurgia corrige |
| Tratamento | Colírios, laser, cirurgia | Cirurgia (substituição do cristalino) |
| Fatores de risco | PIO, hereditariedade, raça | Idade, exposição solar, tabagismo |
| Deteção | Exame especializado (tonometria, OCT) | Fundoscopia, biomicroscopia |
Importa saber que o glaucoma e as cataratas podem coexistir no mesmo olho, o que requer planeamento cuidadoso do tratamento. A cirurgia de cataratas pode, em alguns casos, ter um efeito benéfico na pressão intraocular.
Perguntas Frequentes sobre Glaucoma
O glaucoma tem cura?
O glaucoma não tem cura no sentido de reversão completa dos danos — as fibras nervosas perdidas não regeneram. No entanto, com tratamento adequado e precoce, é possível controlar a doença e preservar a visão durante toda a vida. Muitas pessoas com glaucoma bem controlado mantêm boa qualidade de vida e visão funcional.
Tenho pressão ocular de 23 mmHg. Tenho glaucoma?
Não necessariamente. A pressão ocular elevada (hipertensão ocular) é um fator de risco para o glaucoma, mas não é sinónimo de glaucoma. Para confirmar o diagnóstico, o oftalmologista avalia também o nervo óptico, o campo visual e a espessura da córnea (que influencia a leitura da pressão). O seu oftalmologista é quem deve interpretar os resultados no contexto clínico global.
Os colírios para o glaucoma têm efeitos secundários?
Sim. Os colírios de análogos das prostaglandinas (os mais usados) podem causar escurecimento da íris, crescimento das pestanas, vermelhidão e sensação de queimadura. Os betabloqueantes podem ter efeitos sistémicos como bradicardia e broncospasmo (cuidado em asmáticos). Fale sempre com o seu oftalmologista sobre os efeitos que está a sentir — existem alternativas se um colírio for mal tolerado.
O glaucoma pode afetar os dois olhos?
O GPAA afeta habitualmente os dois olhos, embora possa progredir de forma assimétrica (um olho pior que o outro). O glaucoma agudo de ângulo fechado começa habitualmente num olho, mas o olho contralateral tem risco elevado — pelo que pode ser tratado preventivamente com iridotomia a laser.
Conclusão: O Glaucoma Exige Vigilância Ativa
O glaucoma é uma doença traiçoeira precisamente porque não avisa quando está a destruir silenciosamente o nervo óptico. Em Portugal, estima-se que pelo menos 50.000 pessoas tenham glaucoma sem o saber — e a cegueira que causará nesses casos era evitável.
A mensagem central é simples: o rastreio regular salva a visão. Se tem mais de 40 anos, fatores de risco como história familiar, diabetes ou miopia elevada, peça ao seu médico de família uma referenciação para consulta de oftalmologia ou dirija-se diretamente a uma clínica privada para medição da pressão ocular.
Se já tem diagnóstico de glaucoma, não interrompa os colírios e não falte às consultas de acompanhamento — a progressão controlada é a diferença entre preservar a visão e perdê-la.
Para qualquer dúvida sobre os seus olhos, contacte o SNS 24 (808 24 24 24). Em situação de urgência ocular — dor intensa, visão turva súbita, halos à volta de luzes —, ligue 112 ou vá imediatamente à urgência hospitalar.
Artigo elaborado pela Equipa Sintomas.pt com base em informação da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), Direção-Geral da Saúde (DGS), Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Organização Mundial de Saúde (OMS). Última atualização: abril de 2026.

