Aviso médico: Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico profissional. Em caso de dúvida sobre os seus sintomas, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico. Emergências: 112.
Conjuntivite: Sintomas, Tipos, Causas e Quando Consultar um Médico
A conjuntivite é uma das condições oculares mais frequentes em Portugal, responsável por milhões de consultas por ano. Trata-se da inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que reveste o interior das pálpebras e a superfície branca do olho. Embora geralmente não seja grave, pode causar desconforto significativo e, em alguns casos, requerer tratamento médico.
Na primavera, a conjuntivite alérgica atinge o seu pico sazonal em Portugal, coincidindo com a dispersão polínica das gramíneas e da oliveira. Mas a conjuntivite pode surgir em qualquer época do ano, com causas diversas — virais, bacterianas, alérgicas ou irritativas — que implicam abordagens diferentes.
Neste guia, explicamos os diferentes tipos de conjuntivite, como reconhecer os sintomas de cada um, as causas mais comuns em Portugal e quando deverá consultar um médico.
O Que É a Conjuntivite e Como Se Manifesta
A conjuntiva é uma membrana mucosa muito vascularizada. Quando inflamada — seja por uma infeção, alergia ou irritante — os vasos sanguíneos dilatam-se, dando ao olho o aspeto vermelho característico. A inflamação também estimula a produção de secreções e lacrimejo.
Os sintomas gerais da conjuntivite incluem:
- Olhos vermelhos — vasos sanguíneos dilatados e visíveis
- Comichão ou ardor ocular — especialmente marcados na forma alérgica
- Lacrimejo excessivo — produção aumentada de lágrimas
- Secreção ocular — aquosa, mucosa ou purulenta, consoante o tipo
- Sensação de areia ou corpo estranho no olho
- Pálpebras inchadas — edema periocular
- Fotofobia — sensibilidade à luz, mais frequente nas formas infeciosas
- Pálpebras coladas de manhã — especialmente na conjuntivite bacteriana
A intensidade dos sintomas varia consoante a causa e o grau de inflamação. A maioria das pessoas descreve um desconforto moderado que interfere com a qualidade de vida, sobretudo a nível visual e do sono.
Tipos de Conjuntivite: Como Distinguir Cada Um
Conjuntivite Alérgica: A Mais Comum na Primavera
A conjuntivite alérgica resulta de uma reação do sistema imunológico a alérgenos ambientais. É a forma mais prevalente em adultos em Portugal, especialmente nas regiões do Alentejo, Algarve e Lisboa, onde a concentração polínica é mais elevada.
Sintomas característicos:
- Comichão intensa e bilateral (nos dois olhos)
- Olhos vermelhos e lacrimejantes
- Secreção aquosa e transparente
- Inchaço das pálpebras e da conjuntiva (quemose)
- Sensação de queimadura
- Frequentemente associada a rinite alérgica (nariz entupido ou a pingar)
Alérgenos mais comuns em Portugal:
- Pólenes de gramíneas (abril–julho): o principal alérgeno ocular sazonal
- Pólen de oliveira (maio–junho): especialmente relevante no Alentejo e Algarve
- Ácaros do pó doméstico: causa de conjuntivite alérgica perene (todo o ano)
- Pelos de animais (gato, cão)
- Fungos/bolores
A conjuntivite alérgica não é contagiosa e não responde a antibióticos. O tratamento é feito com colírios anti-histamínicos, estabilizadores de mastócitos ou, em casos mais graves, com imunoterapia específica.
Conjuntivite Viral: A Mais Contagiosa
A conjuntivite viral é frequentemente causada por adenovírus, sendo altamente contagiosa. É a forma mais comum de conjuntivite infeciosa e pode ocorrer em surtos, especialmente em contexto escolar ou laboral.
Sintomas característicos:
- Olho muito vermelho, geralmente começando num olho e propagando-se ao outro
- Secreção aquosa, transparente ou levemente mucosa
- Lacrimejo abundante
- Fotofobia e sensação de areia
- Frequentemente associada a infeção das vias respiratórias superiores (tosse, constipação)
- Pode haver gânglios linfáticos pré-auriculares aumentados (atrás da orelha)
A conjuntivite viral resolve-se espontaneamente em 7 a 14 dias na maioria dos casos. Os antibióticos são ineficazes. O tratamento é de suporte: lágrimas artificiais, compressas frias e higiene rigorosa das mãos.
Conjuntivite Bacteriana: Secreção Purulenta
A conjuntivite bacteriana é causada por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae. É mais comum em crianças e pode disseminar-se facilmente em ambiente escolar.
Sintomas característicos:
- Secreção espessa, amarela ou esverdeada
- Pálpebras coladas ao acordar (sinal muito característico)
- Olho vermelho, geralmente bilateral mas pode começar num olho
- Menos lacrimejo do que na forma viral
- Sensação de ardor ou desconforto
Com tratamento antibiótico adequado (colírios ou pomadas), a melhoria é geralmente evidente em 3 a 5 dias. Sem tratamento, pode durar até 2 semanas e aumenta o risco de complicações.
Conjuntivite de Contacto ou Química
Esta forma resulta da exposição a substâncias irritantes: cloro das piscinas, fumo de cigarro, poluição atmosférica, cosméticos, ou produtos de limpeza. É frequente em trabalhadores expostos a químicos e em utilizadores de lentes de contacto.
Sintomas:
- Vermelhidão e ardor de início súbito após a exposição
- Lacrimejo imediato
- Geralmente resolve-se rapidamente após afastamento do irritante
Causas e Fatores de Risco da Conjuntivite
A conjuntivite pode ser desencadeada por múltiplos fatores:
| Tipo | Principais Causas | Contagiosa? |
|---|---|---|
| Alérgica | Pólen, ácaros, pelos de animais, fungos | Não |
| Viral | Adenovírus, herpesvírus, enterovírus | Sim (altamente) |
| Bacteriana | Staphylococcus, Streptococcus, Haemophilus | Sim |
| Química/Irritativa | Cloro, fumo, cosméticos, químicos | Não |
| Neonatal | Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae | Sim |
Fatores que aumentam o risco:
- História pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite, eczema)
- Utilização de lentes de contacto (aumenta o risco de formas bacterianas e infeciosas)
- Contacto com pessoas infetadas
- Residência em zonas com alta concentração polínica
- Sistema imunitário comprometido
- Uso de medicamentos que causam olho seco
- Exposição frequente a piscinas ou ambientes com cloro
Como Reconhecer o Tipo de Conjuntivite pelos Sintomas?
Uma das dúvidas mais frequentes é distinguir os diferentes tipos sem recorrer a análises laboratoriais. A tabela seguinte ajuda a orientar — mas não substitui a avaliação médica:
| Característica | Alérgica | Viral | Bacteriana |
|---|---|---|---|
| Secreção | Aquosa/transparente | Aquosa/mucosa | Espessa, amarela/verde |
| Pálpebras coladas | Raro | Ocasional | Muito frequente |
| Comichão | Intensa | Moderada | Ligeira |
| Bilateral | Sim (geralmente) | Começa num, passa ao outro | Pode ser unilateral |
| Rinite associada | Frequente | Às vezes | Raro |
| Inflamação garganta | Raro | Frequente | Ocasional |
| Gânglios aumentados | Não | Sim (pré-auricular) | Às vezes |
| Estação do ano | Primavera/verão | Todo o ano | Todo o ano |
Como Distinguir Conjuntivite Alérgica de Viral?
A comichão intensa é o sinal mais diferenciador da conjuntivite alérgica — quem tem conjuntivite viral descreve mais ardor e desconforto do que comichão propriamente dita. A associação com espirros, nariz a pingar e melhoria com anti-histamínicos também aponta para a forma alérgica.
A forma viral tende a ser mais dolorosa e associa-se frequentemente a sintomas de constipação ou faringite.
Conjuntivite em Grupos Específicos
Conjuntivite em Crianças
A conjuntivite é extremamente comum em crianças, especialmente em contexto pré-escolar e escolar. A forma bacteriana é proporcionalmente mais frequente do que nos adultos, pela maior facilidade de transmissão (contacto de mãos com olhos).
Nas crianças, a conjuntivite pode associar-se a otite média (inflamação do ouvido) — a chamada síndrome conjuntivite-otite, causada pelo Haemophilus influenzae. Se a criança tiver olho vermelho e ao mesmo tempo se queixar de dor de ouvido, é importante consultar o médico.
As crianças com conjuntivite infeciosa não devem frequentar a escola até que a secreção esteja controlada, para evitar surtos.
Conjuntivite em Idosos
Nos idosos, a conjuntivite pode confundir-se com síndrome do olho seco — uma condição muito comum nesta faixa etária. A distinção é importante porque os tratamentos são diferentes. O olho seco causa ardor, sensação de areia e olho vermelho, mas sem secreção purulenta e geralmente sem comichão intensa.
A imunidade diminuída nos idosos aumenta o risco de formas bacterianas mais persistentes e de queratoconjuntivite (envolvimento da córnea), que pode comprometer a visão.
Conjuntivite Neonatal
A conjuntivite no recém-nascido (nas primeiras 4 semanas de vida) é uma situação que requer avaliação médica urgente. Pode ser causada por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae (transmitidas durante o parto) e, se não tratada, pode causar danos graves na visão.
Quando Consultar um Médico
A maioria das conjuntivites resolve-se sem complicações. No entanto, deve procurar ajuda médica nas seguintes situações:
Sinais de alerta — consulte com urgência:
- Dor ocular intensa (não apenas desconforto ou ardor)
- Perda ou redução da visão, visão turva ou halos à volta das luzes
- Olho muito vermelho sem secreção, especialmente se acompanhado de dor de cabeça intensa e náuseas (pode indicar glaucoma agudo)
- Sensibilidade extrema à luz (fotofobia grave)
- Olho vermelho após traumatismo, arranhão na córnea ou entrada de corpo estranho
- Suspeita de queimadura química — lave imediatamente com água abundante e vá ao serviço de urgência
- Conjuntivite no recém-nascido (primeiras 4 semanas de vida)
- Sintomas que pioram após 48-72 horas de tratamento
Consulte o médico de família ou SNS 24:
- Secreção ocular persistente por mais de 5 dias
- Suspeita de conjuntivite bacteriana (secreção espessa e amarela) para avaliação e eventual prescrição de antibiótico
- Conjuntivite recorrente ou crónica
- Conjuntivite em utilizadores de lentes de contacto (deve parar imediatamente de usar as lentes)
- Criança com conjuntivite e dor de ouvido simultâneas
Contactos:
- SNS 24: 808 24 24 24 (dúvidas não urgentes, 24h/dia)
- Emergência: 112
Diagnóstico e Tratamento
Como É Feito o Diagnóstico?
O diagnóstico de conjuntivite é essencialmente clínico — baseado na história e no exame do olho. O médico avalia o tipo e a quantidade de secreção, a presença de gânglios, a visão e o aspeto da córnea.
Em casos específicos podem ser solicitados:
- Cultura da secreção ocular — para identificar a bactéria na conjuntivite bacteriana grave ou recorrente
- Testes alérgicos — para identificar o alérgeno na conjuntivite alérgica persistente
- Exame com lâmpada de fenda — para avaliar o envolvimento da córnea
Tratamento por Tipo
Conjuntivite alérgica:
- Evitar o alérgeno sempre que possível
- Colírios anti-histamínicos (olopatadina, cetotifena) — disponíveis sem receita
- Colírios estabilizadores de mastócitos (nedocromilo, lodoxamida) — para prevenção
- Lágrimas artificiais para diluição e lavagem do alérgeno
- Compressas frias para alívio da comichão e edema
- Anti-histamínicos orais em caso de rinite alérgica associada
- Imunoterapia alergénica (vacina) — para casos graves e persistentes, sob supervisão de alergologista
Conjuntivite viral:
- Não existe tratamento específico — resolução espontânea
- Lágrimas artificiais sem conservantes para conforto
- Compressas frias para reduzir a inflamação
- Higiene rigorosa das mãos para evitar contágio
- Em casos graves (adenovírus 8, 19, 37) podem ser usados colírios anti-inflamatórios sob prescrição médica
Conjuntivite bacteriana:
- Colírios ou pomadas antibióticas (tobramicina, cloranfenicol, azitromicina) — requerem receita médica em Portugal
- Limpeza regular das pálpebras com soro fisiológico
- Evitar contacto físico e não partilhar objetos pessoais
Prevenção da Conjuntivite
Prevenção da Conjuntivite Infeciosa (Viral e Bacteriana)
A conjuntivite infeciosa é altamente contagiosa. As medidas de prevenção são simples mas eficazes:
- Lavagem frequente das mãos — especialmente antes de tocar nos olhos
- Não partilhar toalhas, almofadas, maquilhagem ou colírios
- Não coçar os olhos — evita a autoinoculação e a transmissão a outros
- Substituir os panos de rosto por toalhas de papel descartáveis durante a infeção
- Desinfetar superfícies de toque frequente (maçanetas, teclados, telemóveis)
- Afastamento da escola ou trabalho enquanto os sintomas estiverem ativos
Prevenção da Conjuntivite Alérgica
- Monitorizar os níveis de pólen (aplicações como Aller-Air ou DGS) e limitar a exposição em dias de concentração elevada
- Usar óculos de sol no exterior durante a época polínica
- Manter as janelas fechadas em dias de vento ou quando os níveis de pólen estão altos
- Lavar o cabelo e trocar de roupa após estar no exterior durante a época polínica
- Utilizar colírios lubrificantes após exposição ao exterior para eliminar os alérgenos
- Evitar friccionar os olhos — piora a libertação de histamina
Cuidados com Lentes de Contacto
Os utilizadores de lentes de contacto têm maior risco de desenvolver conjuntivite e de complicações. Em caso de conjuntivite, deve:
- Suspender imediatamente o uso de lentes de contacto
- Consultar o oftalmologista antes de retomar o uso
- Nunca usar as lentes de contacto que estavam em uso durante a infeção
- Respeitar os prazos de substituição das lentes e usar sempre solução de conservação adequada
Conjuntivite vs. Outras Condições que Causam Olho Vermelho
O olho vermelho é um sinal inespecífico que pode ter várias causas além da conjuntivite. É importante distingui-las:
Glaucoma agudo de ângulo fechado: Olho muito vermelho com dor intensa, visão turva, halos e náuseas. É uma emergência ocular — requer tratamento imediato para evitar perda permanente da visão.
Uveíte: Inflamação da úvea (estrutura interna do olho). Causa dor ocular, fotofobia e olho vermelho, geralmente sem secreção. Pode estar associada a doenças autoimunes como espondilite anquilosante ou doença de Crohn.
Esclerite: Inflamação da esclera (parte branca do olho). Causa dor intensa, especialmente ao toque.
Síndrome do olho seco: Causa ardor, sensação de areia e vermelhidão, mas sem secreção e tipicamente pior ao fim do dia ou em ambientes com ar condicionado.
Corpo estranho: Dor unilateral, lacrimejo e vermelhidão localizados, com história de exposição a partícula.
Se tiver dúvidas sobre a causa do olho vermelho — especialmente se houver dor, alteração da visão ou o problema for unilateral e persistente — é sempre aconselhável consultar um médico ou oftalmologista.
Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite
Posso trabalhar ou ir à escola com conjuntivite?
Se for conjuntivite alérgica, não há restrição do ponto de vista do contágio. Se for viral ou bacteriana, idealmente deverá evitar o contacto próximo com outras pessoas até que a secreção esteja controlada (geralmente 24-48 horas após início do tratamento para a bacteriana, ou até resolução dos sintomas para a viral). Consulte o seu médico para indicações específicas.
Posso usar lentes de contacto com conjuntivite?
Não. As lentes de contacto devem ser sempre suspensas em caso de conjuntivite, independentemente do tipo. Agravam a irritação, podem reter o agente infecioso e dificultam a recuperação. Retome o uso apenas após a resolução completa e com o acordo do seu oftalmologista.
Será que preciso de antibiótico para a conjuntivite?
Os antibióticos só são eficazes na conjuntivite bacteriana. A conjuntivite viral não responde a antibióticos, e a alérgica requer tratamento anti-alérgico. O diagnóstico correto é fundamental para evitar o uso desnecessário de antibióticos, que pode contribuir para resistências bacterianas.
A conjuntivite pode afetar a visão permanentemente?
A grande maioria das conjuntivites resolve-se sem sequelas visuais. No entanto, formas graves de queratoconjuntivite (com envolvimento da córnea), a conjuntivite neonatal não tratada, ou infeções por agentes como Neisseria gonorrhoeae podem causar danos permanentes. É por isso que os sinais de alerta — dor, alteração da visão, fotofobia grave — devem ser avaliados com urgência.
Conclusão
A conjuntivite é uma condição muito comum e geralmente benigna, mas que pode causar desconforto significativo e, em alguns casos, requerer tratamento médico. Reconhecer o tipo de conjuntivite — alérgica, viral ou bacteriana — é fundamental para escolher a abordagem correta.
Na primavera portuguesa, a conjuntivite alérgica é particularmente frequente devido aos elevados níveis de pólen. Se sofre de alergias, adote medidas preventivas e saiba que existem tratamentos eficazes disponíveis.
Perante qualquer dúvida sobre os seus sintomas oculares, especialmente se houver dor intensa, alteração da visão ou deterioração progressiva, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou consulte o seu médico de família. Em situação de emergência, ligue 112.
Artigo revisto pela Equipa Sintomas.pt com base em informação das autoridades de saúde portuguesas (SNS, DGS) e internacionais (OMS). Última atualização: abril de 2026.

