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Conjuntivite: Sintomas, Tipos, Causas e Tratamento

Equipa Sintomas.pt 10 de abril de 2026 #conjuntivite #olho vermelho #alergia ocular
Olho humano com vermelhidão e lacrimejo característicos da conjuntivite

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

Aviso médico: Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui a consulta médica nem o diagnóstico profissional. Em caso de dúvida sobre os seus sintomas, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico. Emergências: 112.

Conjuntivite: Sintomas, Tipos, Causas e Quando Consultar um Médico

A conjuntivite é uma das condições oculares mais frequentes em Portugal, responsável por milhões de consultas por ano. Trata-se da inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que reveste o interior das pálpebras e a superfície branca do olho. Embora geralmente não seja grave, pode causar desconforto significativo e, em alguns casos, requerer tratamento médico.

Na primavera, a conjuntivite alérgica atinge o seu pico sazonal em Portugal, coincidindo com a dispersão polínica das gramíneas e da oliveira. Mas a conjuntivite pode surgir em qualquer época do ano, com causas diversas — virais, bacterianas, alérgicas ou irritativas — que implicam abordagens diferentes.

Neste guia, explicamos os diferentes tipos de conjuntivite, como reconhecer os sintomas de cada um, as causas mais comuns em Portugal e quando deverá consultar um médico.


O Que É a Conjuntivite e Como Se Manifesta

A conjuntiva é uma membrana mucosa muito vascularizada. Quando inflamada — seja por uma infeção, alergia ou irritante — os vasos sanguíneos dilatam-se, dando ao olho o aspeto vermelho característico. A inflamação também estimula a produção de secreções e lacrimejo.

Os sintomas gerais da conjuntivite incluem:

  • Olhos vermelhos — vasos sanguíneos dilatados e visíveis
  • Comichão ou ardor ocular — especialmente marcados na forma alérgica
  • Lacrimejo excessivo — produção aumentada de lágrimas
  • Secreção ocular — aquosa, mucosa ou purulenta, consoante o tipo
  • Sensação de areia ou corpo estranho no olho
  • Pálpebras inchadas — edema periocular
  • Fotofobia — sensibilidade à luz, mais frequente nas formas infeciosas
  • Pálpebras coladas de manhã — especialmente na conjuntivite bacteriana

A intensidade dos sintomas varia consoante a causa e o grau de inflamação. A maioria das pessoas descreve um desconforto moderado que interfere com a qualidade de vida, sobretudo a nível visual e do sono.


Tipos de Conjuntivite: Como Distinguir Cada Um

Conjuntivite Alérgica: A Mais Comum na Primavera

A conjuntivite alérgica resulta de uma reação do sistema imunológico a alérgenos ambientais. É a forma mais prevalente em adultos em Portugal, especialmente nas regiões do Alentejo, Algarve e Lisboa, onde a concentração polínica é mais elevada.

Sintomas característicos:

  • Comichão intensa e bilateral (nos dois olhos)
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes
  • Secreção aquosa e transparente
  • Inchaço das pálpebras e da conjuntiva (quemose)
  • Sensação de queimadura
  • Frequentemente associada a rinite alérgica (nariz entupido ou a pingar)

Alérgenos mais comuns em Portugal:

  • Pólenes de gramíneas (abril–julho): o principal alérgeno ocular sazonal
  • Pólen de oliveira (maio–junho): especialmente relevante no Alentejo e Algarve
  • Ácaros do pó doméstico: causa de conjuntivite alérgica perene (todo o ano)
  • Pelos de animais (gato, cão)
  • Fungos/bolores

A conjuntivite alérgica não é contagiosa e não responde a antibióticos. O tratamento é feito com colírios anti-histamínicos, estabilizadores de mastócitos ou, em casos mais graves, com imunoterapia específica.

Conjuntivite Viral: A Mais Contagiosa

A conjuntivite viral é frequentemente causada por adenovírus, sendo altamente contagiosa. É a forma mais comum de conjuntivite infeciosa e pode ocorrer em surtos, especialmente em contexto escolar ou laboral.

Sintomas característicos:

  • Olho muito vermelho, geralmente começando num olho e propagando-se ao outro
  • Secreção aquosa, transparente ou levemente mucosa
  • Lacrimejo abundante
  • Fotofobia e sensação de areia
  • Frequentemente associada a infeção das vias respiratórias superiores (tosse, constipação)
  • Pode haver gânglios linfáticos pré-auriculares aumentados (atrás da orelha)

A conjuntivite viral resolve-se espontaneamente em 7 a 14 dias na maioria dos casos. Os antibióticos são ineficazes. O tratamento é de suporte: lágrimas artificiais, compressas frias e higiene rigorosa das mãos.

Conjuntivite Bacteriana: Secreção Purulenta

A conjuntivite bacteriana é causada por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae. É mais comum em crianças e pode disseminar-se facilmente em ambiente escolar.

Sintomas característicos:

  • Secreção espessa, amarela ou esverdeada
  • Pálpebras coladas ao acordar (sinal muito característico)
  • Olho vermelho, geralmente bilateral mas pode começar num olho
  • Menos lacrimejo do que na forma viral
  • Sensação de ardor ou desconforto

Com tratamento antibiótico adequado (colírios ou pomadas), a melhoria é geralmente evidente em 3 a 5 dias. Sem tratamento, pode durar até 2 semanas e aumenta o risco de complicações.

Conjuntivite de Contacto ou Química

Esta forma resulta da exposição a substâncias irritantes: cloro das piscinas, fumo de cigarro, poluição atmosférica, cosméticos, ou produtos de limpeza. É frequente em trabalhadores expostos a químicos e em utilizadores de lentes de contacto.

Sintomas:

  • Vermelhidão e ardor de início súbito após a exposição
  • Lacrimejo imediato
  • Geralmente resolve-se rapidamente após afastamento do irritante

Causas e Fatores de Risco da Conjuntivite

A conjuntivite pode ser desencadeada por múltiplos fatores:

TipoPrincipais CausasContagiosa?
AlérgicaPólen, ácaros, pelos de animais, fungosNão
ViralAdenovírus, herpesvírus, enterovírusSim (altamente)
BacterianaStaphylococcus, Streptococcus, HaemophilusSim
Química/IrritativaCloro, fumo, cosméticos, químicosNão
NeonatalChlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeaeSim

Fatores que aumentam o risco:

  • História pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite, eczema)
  • Utilização de lentes de contacto (aumenta o risco de formas bacterianas e infeciosas)
  • Contacto com pessoas infetadas
  • Residência em zonas com alta concentração polínica
  • Sistema imunitário comprometido
  • Uso de medicamentos que causam olho seco
  • Exposição frequente a piscinas ou ambientes com cloro

Como Reconhecer o Tipo de Conjuntivite pelos Sintomas?

Uma das dúvidas mais frequentes é distinguir os diferentes tipos sem recorrer a análises laboratoriais. A tabela seguinte ajuda a orientar — mas não substitui a avaliação médica:

CaracterísticaAlérgicaViralBacteriana
SecreçãoAquosa/transparenteAquosa/mucosaEspessa, amarela/verde
Pálpebras coladasRaroOcasionalMuito frequente
ComichãoIntensaModeradaLigeira
BilateralSim (geralmente)Começa num, passa ao outroPode ser unilateral
Rinite associadaFrequenteÀs vezesRaro
Inflamação gargantaRaroFrequenteOcasional
Gânglios aumentadosNãoSim (pré-auricular)Às vezes
Estação do anoPrimavera/verãoTodo o anoTodo o ano

Como Distinguir Conjuntivite Alérgica de Viral?

A comichão intensa é o sinal mais diferenciador da conjuntivite alérgica — quem tem conjuntivite viral descreve mais ardor e desconforto do que comichão propriamente dita. A associação com espirros, nariz a pingar e melhoria com anti-histamínicos também aponta para a forma alérgica.

A forma viral tende a ser mais dolorosa e associa-se frequentemente a sintomas de constipação ou faringite.


Conjuntivite em Grupos Específicos

Conjuntivite em Crianças

A conjuntivite é extremamente comum em crianças, especialmente em contexto pré-escolar e escolar. A forma bacteriana é proporcionalmente mais frequente do que nos adultos, pela maior facilidade de transmissão (contacto de mãos com olhos).

Nas crianças, a conjuntivite pode associar-se a otite média (inflamação do ouvido) — a chamada síndrome conjuntivite-otite, causada pelo Haemophilus influenzae. Se a criança tiver olho vermelho e ao mesmo tempo se queixar de dor de ouvido, é importante consultar o médico.

As crianças com conjuntivite infeciosa não devem frequentar a escola até que a secreção esteja controlada, para evitar surtos.

Conjuntivite em Idosos

Nos idosos, a conjuntivite pode confundir-se com síndrome do olho seco — uma condição muito comum nesta faixa etária. A distinção é importante porque os tratamentos são diferentes. O olho seco causa ardor, sensação de areia e olho vermelho, mas sem secreção purulenta e geralmente sem comichão intensa.

A imunidade diminuída nos idosos aumenta o risco de formas bacterianas mais persistentes e de queratoconjuntivite (envolvimento da córnea), que pode comprometer a visão.

Conjuntivite Neonatal

A conjuntivite no recém-nascido (nas primeiras 4 semanas de vida) é uma situação que requer avaliação médica urgente. Pode ser causada por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae (transmitidas durante o parto) e, se não tratada, pode causar danos graves na visão.


Quando Consultar um Médico

A maioria das conjuntivites resolve-se sem complicações. No entanto, deve procurar ajuda médica nas seguintes situações:

Sinais de alerta — consulte com urgência:

  • Dor ocular intensa (não apenas desconforto ou ardor)
  • Perda ou redução da visão, visão turva ou halos à volta das luzes
  • Olho muito vermelho sem secreção, especialmente se acompanhado de dor de cabeça intensa e náuseas (pode indicar glaucoma agudo)
  • Sensibilidade extrema à luz (fotofobia grave)
  • Olho vermelho após traumatismo, arranhão na córnea ou entrada de corpo estranho
  • Suspeita de queimadura química — lave imediatamente com água abundante e vá ao serviço de urgência
  • Conjuntivite no recém-nascido (primeiras 4 semanas de vida)
  • Sintomas que pioram após 48-72 horas de tratamento

Consulte o médico de família ou SNS 24:

  • Secreção ocular persistente por mais de 5 dias
  • Suspeita de conjuntivite bacteriana (secreção espessa e amarela) para avaliação e eventual prescrição de antibiótico
  • Conjuntivite recorrente ou crónica
  • Conjuntivite em utilizadores de lentes de contacto (deve parar imediatamente de usar as lentes)
  • Criança com conjuntivite e dor de ouvido simultâneas

Contactos:

  • SNS 24: 808 24 24 24 (dúvidas não urgentes, 24h/dia)
  • Emergência: 112

Diagnóstico e Tratamento

Como É Feito o Diagnóstico?

O diagnóstico de conjuntivite é essencialmente clínico — baseado na história e no exame do olho. O médico avalia o tipo e a quantidade de secreção, a presença de gânglios, a visão e o aspeto da córnea.

Em casos específicos podem ser solicitados:

  • Cultura da secreção ocular — para identificar a bactéria na conjuntivite bacteriana grave ou recorrente
  • Testes alérgicos — para identificar o alérgeno na conjuntivite alérgica persistente
  • Exame com lâmpada de fenda — para avaliar o envolvimento da córnea

Tratamento por Tipo

Conjuntivite alérgica:

  • Evitar o alérgeno sempre que possível
  • Colírios anti-histamínicos (olopatadina, cetotifena) — disponíveis sem receita
  • Colírios estabilizadores de mastócitos (nedocromilo, lodoxamida) — para prevenção
  • Lágrimas artificiais para diluição e lavagem do alérgeno
  • Compressas frias para alívio da comichão e edema
  • Anti-histamínicos orais em caso de rinite alérgica associada
  • Imunoterapia alergénica (vacina) — para casos graves e persistentes, sob supervisão de alergologista

Conjuntivite viral:

  • Não existe tratamento específico — resolução espontânea
  • Lágrimas artificiais sem conservantes para conforto
  • Compressas frias para reduzir a inflamação
  • Higiene rigorosa das mãos para evitar contágio
  • Em casos graves (adenovírus 8, 19, 37) podem ser usados colírios anti-inflamatórios sob prescrição médica

Conjuntivite bacteriana:

  • Colírios ou pomadas antibióticas (tobramicina, cloranfenicol, azitromicina) — requerem receita médica em Portugal
  • Limpeza regular das pálpebras com soro fisiológico
  • Evitar contacto físico e não partilhar objetos pessoais

Prevenção da Conjuntivite

Prevenção da Conjuntivite Infeciosa (Viral e Bacteriana)

A conjuntivite infeciosa é altamente contagiosa. As medidas de prevenção são simples mas eficazes:

  • Lavagem frequente das mãos — especialmente antes de tocar nos olhos
  • Não partilhar toalhas, almofadas, maquilhagem ou colírios
  • Não coçar os olhos — evita a autoinoculação e a transmissão a outros
  • Substituir os panos de rosto por toalhas de papel descartáveis durante a infeção
  • Desinfetar superfícies de toque frequente (maçanetas, teclados, telemóveis)
  • Afastamento da escola ou trabalho enquanto os sintomas estiverem ativos

Prevenção da Conjuntivite Alérgica

  • Monitorizar os níveis de pólen (aplicações como Aller-Air ou DGS) e limitar a exposição em dias de concentração elevada
  • Usar óculos de sol no exterior durante a época polínica
  • Manter as janelas fechadas em dias de vento ou quando os níveis de pólen estão altos
  • Lavar o cabelo e trocar de roupa após estar no exterior durante a época polínica
  • Utilizar colírios lubrificantes após exposição ao exterior para eliminar os alérgenos
  • Evitar friccionar os olhos — piora a libertação de histamina

Cuidados com Lentes de Contacto

Os utilizadores de lentes de contacto têm maior risco de desenvolver conjuntivite e de complicações. Em caso de conjuntivite, deve:

  • Suspender imediatamente o uso de lentes de contacto
  • Consultar o oftalmologista antes de retomar o uso
  • Nunca usar as lentes de contacto que estavam em uso durante a infeção
  • Respeitar os prazos de substituição das lentes e usar sempre solução de conservação adequada

Conjuntivite vs. Outras Condições que Causam Olho Vermelho

O olho vermelho é um sinal inespecífico que pode ter várias causas além da conjuntivite. É importante distingui-las:

Glaucoma agudo de ângulo fechado: Olho muito vermelho com dor intensa, visão turva, halos e náuseas. É uma emergência ocular — requer tratamento imediato para evitar perda permanente da visão.

Uveíte: Inflamação da úvea (estrutura interna do olho). Causa dor ocular, fotofobia e olho vermelho, geralmente sem secreção. Pode estar associada a doenças autoimunes como espondilite anquilosante ou doença de Crohn.

Esclerite: Inflamação da esclera (parte branca do olho). Causa dor intensa, especialmente ao toque.

Síndrome do olho seco: Causa ardor, sensação de areia e vermelhidão, mas sem secreção e tipicamente pior ao fim do dia ou em ambientes com ar condicionado.

Corpo estranho: Dor unilateral, lacrimejo e vermelhidão localizados, com história de exposição a partícula.

Se tiver dúvidas sobre a causa do olho vermelho — especialmente se houver dor, alteração da visão ou o problema for unilateral e persistente — é sempre aconselhável consultar um médico ou oftalmologista.


Perguntas Frequentes sobre Conjuntivite

Posso trabalhar ou ir à escola com conjuntivite?

Se for conjuntivite alérgica, não há restrição do ponto de vista do contágio. Se for viral ou bacteriana, idealmente deverá evitar o contacto próximo com outras pessoas até que a secreção esteja controlada (geralmente 24-48 horas após início do tratamento para a bacteriana, ou até resolução dos sintomas para a viral). Consulte o seu médico para indicações específicas.

Posso usar lentes de contacto com conjuntivite?

Não. As lentes de contacto devem ser sempre suspensas em caso de conjuntivite, independentemente do tipo. Agravam a irritação, podem reter o agente infecioso e dificultam a recuperação. Retome o uso apenas após a resolução completa e com o acordo do seu oftalmologista.

Será que preciso de antibiótico para a conjuntivite?

Os antibióticos só são eficazes na conjuntivite bacteriana. A conjuntivite viral não responde a antibióticos, e a alérgica requer tratamento anti-alérgico. O diagnóstico correto é fundamental para evitar o uso desnecessário de antibióticos, que pode contribuir para resistências bacterianas.

A conjuntivite pode afetar a visão permanentemente?

A grande maioria das conjuntivites resolve-se sem sequelas visuais. No entanto, formas graves de queratoconjuntivite (com envolvimento da córnea), a conjuntivite neonatal não tratada, ou infeções por agentes como Neisseria gonorrhoeae podem causar danos permanentes. É por isso que os sinais de alerta — dor, alteração da visão, fotofobia grave — devem ser avaliados com urgência.


Conclusão

A conjuntivite é uma condição muito comum e geralmente benigna, mas que pode causar desconforto significativo e, em alguns casos, requerer tratamento médico. Reconhecer o tipo de conjuntivite — alérgica, viral ou bacteriana — é fundamental para escolher a abordagem correta.

Na primavera portuguesa, a conjuntivite alérgica é particularmente frequente devido aos elevados níveis de pólen. Se sofre de alergias, adote medidas preventivas e saiba que existem tratamentos eficazes disponíveis.

Perante qualquer dúvida sobre os seus sintomas oculares, especialmente se houver dor intensa, alteração da visão ou deterioração progressiva, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou consulte o seu médico de família. Em situação de emergência, ligue 112.


Artigo revisto pela Equipa Sintomas.pt com base em informação das autoridades de saúde portuguesas (SNS, DGS) e internacionais (OMS). Última atualização: abril de 2026.

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