Alergias e Imunidade

Sarampo: Sintomas, Complicações e Vacinação

Equipa Sintomas.pt 10 de abril de 2026 #sarampo #infeções virais #vacinação
Ilustração dos sintomas do sarampo — erupção cutânea e febre

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

O sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas conhecidas e, apesar de ser prevenível pela vacinação, continua a causar surtos em Portugal e na Europa. Em 2025, foram confirmados 20 casos em Portugal, a maioria em adultos não vacinados entre os 20 e os 45 anos. A nível global, a Organização Pan-Americana da Saúde reportou um aumento de 43 vezes nos casos de sarampo nas primeiras semanas de 2026 face ao mesmo período de 2025.

Neste guia, explicamos quais são os sintomas do sarampo, como evoluem ao longo dos dias, quais as complicações possíveis e quando deve procurar ajuda médica. A informação baseia-se nas orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), do SNS 24 e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Aviso médico: Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Nunca se autodiagnostique. Se suspeitar de sarampo, não vá diretamente a uma urgência — contacte primeiro o SNS 24 (808 24 24 24) para receber orientação e evitar contagiar outras pessoas. Em caso de emergência grave, ligue 112.


O Que É o Sarampo

O sarampo é uma infeção viral aguda causada pelo morbilivírus (família Paramyxoviridae). Trata-se de uma doença de declaração obrigatória em Portugal e altamente contagiosa: estima-se que cada pessoa infetada possa contagiar entre 12 e 18 outras pessoas suscetíveis — um índice de contágio (R0) muito superior ao da gripe ou da covid-19.

O vírus transmite-se exclusivamente de pessoa para pessoa, principalmente por via aérea através de gotículas respiratórias ou aerossóis libertados quando o infetado tosse, espirra ou fala. O vírus pode permanecer suspenso no ar de um compartimento fechado durante até duas horas após a presença de uma pessoa infetada.

Quem É Mais Suscetível

Qualquer pessoa que não tenha sido vacinada com duas doses de VASPR ou que não tenha tido sarampo anteriormente é considerada suscetível. Em Portugal, os grupos com maior risco de infeção incluem:

GrupoRazão da maior suscetibilidade
Adultos nascidos entre 1970 e 1990Geração que pode ter recebido apenas 1 dose ou nenhuma
Viajantes para regiões endémicasContato com casos importados
Profissionais de saúde sem 2 doses documentadasExposição profissional aumentada
Crianças com menos de 12 mesesAinda sem idade para a primeira dose de VASPR
Pessoas imunocomprometidasPossível resposta vacinal reduzida

Como Reconhecer o Sarampo: Sintomas por Fase

O sarampo evolui em fases bem definidas. Reconhecer cada uma delas é fundamental para identificar a doença e evitar a propagação.

Fase de Incubação (dias 1 a 14)

Após o contágio, o vírus tem um período de incubação de 10 a 14 dias (podendo chegar aos 21 dias em adultos). Durante esta fase, a pessoa não apresenta sintomas mas já pode estar a iniciar a fase de contagiosidade nos últimos dias.

Fase Prodrómica (dias 1 a 4 de doença)

Esta é a fase inicial dos sintomas e pode ser facilmente confundida com uma gripe ou resfriado:

  • Febre alta — geralmente acima de 38,5 °C, podendo ultrapassar os 40 °C
  • Tosse seca persistente
  • Corrimento nasal (rinorreia)
  • Conjuntivite — olhos vermelhos, lacrimejantes e fotossensíveis
  • Mal-estar geral e prostração
  • Manchas de Koplik — pequenas manchas brancas com halo avermelhado no interior das bochechas, características do sarampo, que aparecem 1 a 2 dias antes da erupção cutânea

Fase Exantemática (dias 3 a 7 de doença)

Cerca de 3 a 4 dias após o início dos sintomas surge a erupção cutânea característica:

  • Começa pela face e atrás das orelhas, propagando-se depois para o pescoço, tronco, braços e, por fim, membros inferiores
  • As manchas são avermelhadas, planas ou ligeiramente elevadas, que podem confluir formando áreas maiores
  • A febre pode elevar-se ainda mais com o aparecimento da erupção
  • A erupção dura tipicamente 5 a 6 dias antes de começar a desaparecer na mesma sequência em que surgiu

Fase de Recuperação (semana 2)

Após a erupção, os sintomas vão cedendo gradualmente. A pele pode apresentar descamação fina nas zonas afetadas. A fadiga pode persistir por uma ou duas semanas adicionais.


Sarampo em Diferentes Grupos: O Que Muda

Sarampo em Crianças com Menos de 5 Anos

As crianças pequenas, especialmente as que não foram vacinadas, têm risco aumentado de complicações. As manifestações mais frequentes incluem:

  • Otite média (inflamação do ouvido médio) — pode levar a surdez temporária ou permanente
  • Diarreia e desidratação — especialmente em países com acesso limitado a cuidados
  • Pneumonia — principal causa de morte em crianças com sarampo
  • Croup (laringotraqueobronquite) — tosse intensa e dificuldade respiratória

A DGS recomenda que os pais mantenham o calendário de vacinação atualizado com as duas doses de VASPR (aos 12 meses e aos 5 anos).

Sarampo em Adultos Não Vacinados

Em adultos, o sarampo tende a ser mais grave. Os dados de 2025 em Portugal mostram que a maioria dos casos ocorreu em adultos jovens com vacinação incompleta. Os riscos incluem:

  • Pneumonia vírica ou bacteriana — complicação mais comum em adultos
  • Hepatite — inflamação do fígado, geralmente autolimitada
  • Encefalite — inflamação do cérebro, rara (1 em 1000 casos) mas potencialmente fatal ou com sequelas permanentes
  • Queratite — inflamação da córnea, podendo causar cegueira

Sarampo na Gravidez

O sarampo durante a gravidez pode ser muito perigoso, aumentando o risco de:

  • Parto prematuro
  • Aborto espontâneo
  • Baixo peso ao nascer
  • Transmissão para o recém-nascido (sarampo neonatal)

As grávidas não vacinadas que foram expostas ao vírus devem contactar imediatamente o seu médico obstetra.


Sarampo vs. Rubéola e Outras Infeções: Como Distinguir

Uma das dúvidas mais comuns é distinguir o sarampo de outras doenças que causam erupção cutânea. A tabela seguinte resume as principais diferenças:

CaracterísticaSarampoRubéolaRoseola InfantumEscarlatina
FebreAlta (>39 °C)Ligeira a moderadaAlta (39-40 °C)Alta, súbita
ErupçãoComeça na face, vermelho intensoPálida, começa na faceAparece após a febre cederCor de rosa, textura aveludada
Manchas de KoplikSim (exclusivo)NãoNãoNão
ConjuntiviteProeminenteLigeiraAusenteAusente
Duração erupção5-6 dias3 dias1-3 dias7-10 dias
CausaMorbilivírusRubivírusHerpesvírus 6/7Streptococcus A

Complicações Graves do Sarampo

O sarampo não é uma doença benigna. Estima-se que cerca de 30% das pessoas infetadas desenvolvem pelo menos uma complicação. As mais graves são:

Pneumonia

É a complicação mais comum e a principal causa de morte associada ao sarampo. Pode ser causada pelo próprio vírus ou por infeções bacterianas secundárias (como o pneumococo ou o Staphylococcus aureus). Manifesta-se por dificuldade respiratória, dor no peito e agravamento da tosse.

Encefalite Aguda

Ocorre em aproximadamente 1 em cada 1000 casos de sarampo e manifesta-se geralmente 2 a 6 dias após o início da erupção, com sintomas semelhantes aos da meningite. Os sintomas incluem convulsões, confusão mental, sonolência excessiva e, em casos graves, coma. A taxa de mortalidade é de 15%, e até 25% dos sobreviventes ficam com sequelas neurológicas permanentes.

Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES)

Esta é uma complicação rara mas inevitavelmente fatal, que se desenvolve anos a décadas após a infeção por sarampo (geralmente em pessoas que contraíram a doença antes dos 2 anos de idade). Caracteriza-se por deterioração progressiva das funções neurológicas. A vacinação é a única forma de preveni-la.

Supressão Imunológica

O vírus do sarampo tem a capacidade de destruir a memória imunológica, deixando o organismo temporariamente mais vulnerável a outras infeções durante semanas a meses após a recuperação — um fenómeno designado “amnésia imunológica”.


Quando Consultar um Médico

Atenção importante: Se suspeitar de sarampo, não se desloque diretamente a um serviço de urgência. O sarampo é extremamente contagioso e pode ser transmitido em salas de espera. Siga estes passos:

  1. Contacte o SNS 24: 808 24 24 24 — linha de saúde gratuita disponível 24h por dia
  2. Descreva os sintomas e informe se esteve em contacto com casos confirmados ou viajou para zonas de surto
  3. Aguarde orientação para a triagem ou encaminhamento adequado
  4. Use máscara cirúrgica e evite o transporte público

Procure ajuda médica urgente se:

  • A febre for superior a 39,5 °C e não ceder com antipiréticos
  • Houver dificuldade respiratória, respiração rápida ou dor no peito
  • A pessoa tiver convulsões, confusão mental ou alteração do estado de consciência
  • Surgir dor intensa de ouvido ou redução da audição
  • Os olhos apresentarem dor intensa ou visão turva
  • A pessoa for grávida, imunocomprometida ou tiver menos de 1 ano

Em caso de emergência: ligue 112


Tratamento e Cuidados em Casa

Não existe tratamento antivírico específico para o sarampo. O tratamento é essencialmente de suporte, sob orientação médica:

Medidas Gerais

  • Repouso em ambiente tranquilo e com luz reduzida (a fotossensibilidade ocular pode ser incómoda)
  • Hidratação adequada — água, chás e sumos naturais diluídos
  • Controlo da febre — paracetamol na dose adequada ao peso (nunca aspirina em crianças)
  • Cuidados oculares — limpeza suave dos olhos com soro fisiológico
  • Isolamento — a pessoa infetada deve ficar em isolamento domiciliário até 4 dias após o desaparecimento da erupção

Vitamina A

A OMS recomenda a suplementação com vitamina A em crianças com sarampo, especialmente em populações com deficiência nutricional. Esta medida reduz a mortalidade e o risco de complicações oculares. Em Portugal, a prescrição deve ser feita pelo médico.

Vigilância de Complicações

O médico irá avaliar a necessidade de antibióticos se houver sinais de infeção bacteriana secundária (como pneumonia bacteriana ou otite média), ou de internamento hospitalar nos casos mais graves.


Vacinação Contra o Sarampo em Portugal

A vacinação é a única medida eficaz de prevenção do sarampo. Em Portugal, a vacina VASPR (contra sarampo, parotidite e rubéola) é gratuita e está incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Esquema Vacinal Recomendado pela DGS

  • 1.ª dose: aos 12 meses de idade
  • 2.ª dose: aos 5 anos de idade (antes da entrada na escola)
  • Adultos nascidos após 1970: sem história credível de sarampo, devem ter pelo menos 1 dose de VASPR
  • Profissionais de saúde: independentemente do ano de nascimento, devem ter 2 doses documentadas

Duas doses de VASPR conferem uma proteção estimada em 97% contra o sarampo. Quem não tem o esquema vacinal completo pode tomar doses suplementares — consulte o médico de família ou o centro de saúde.

Quem Não Pode Ser Vacinado

A vacina VASPR é uma vacina de vírus vivos atenuados e está contraindicada em:

  • Grávidas (deve ser evitada a gravidez durante 1 mês após vacinação)
  • Pessoas com imunodeficiência grave
  • Pessoas com alergia grave a componentes da vacina

Nestes casos, a proteção é garantida através da imunidade de grupo — ou seja, se a taxa de vacinação na população se mantiver acima de 95%, o vírus não consegue circular e as pessoas vulneráveis ficam protegidas indiretamente.


Perguntas Frequentes sobre o Sarampo

O sarampo pode reaparecer em Portugal?

Sim. A DGS monitoriza continuamente a situação epidemiológica. Os casos surgem maioritariamente em adultos não vacinados e por importação de zonas com surtos ativos. A manutenção de coberturas vacinais elevadas (>95%) é essencial para evitar a reemergência da doença.

Posso ter sarampo se já fui vacinado?

É muito improvável com 2 doses de VASPR. No entanto, em raros casos, pessoas vacinadas podem desenvolver uma forma mais ligeira da doença (“sarampo modificado”) com sintomas menos intensos e período de contagiosidade reduzido.

O que devo fazer se estive em contacto com um caso de sarampo?

Contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o médico de família. Se não estiver vacinado, a administração de uma dose de VASPR nas primeiras 72 horas após o contágio pode prevenir ou atenuar a doença. Em grupos de risco (grávidas, imunocomprometidos), pode ser administrada imunoglobulina.


Conclusão

O sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa, mas completamente prevenível com a vacinação. Em Portugal, os casos têm surgido principalmente em adultos com vacinação incompleta, o que sublinha a importância de verificar o estado vacinal de toda a família.

Se suspeitar de sarampo — em si ou em alguém próximo — não se desloque diretamente a uma unidade de saúde. Ligue primeiro para o SNS 24: 808 24 24 24 e siga as indicações dos profissionais de saúde. Em caso de emergência, ligue 112.

Verifique o seu Boletim Individual de Saúde e confirme se tem as duas doses de VASPR registadas. Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família ou dirija-se ao centro de saúde.


Informação baseada nas orientações da Direção-Geral da Saúde, do SNS 24 e da Organização Mundial da Saúde. Este artigo tem fins informativos e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

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