Cabeca e Pescoco

Amigdalite: Sintomas, Causas, Tratamento e Quando Operar

Equipa Sintomas.pt 17 de abril de 2026 #amigdalite #amígdalas #dor de garganta
Ilustração médica representando amígdalas inflamadas com sintomas de amigdalite

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

A amigdalite — inflamação das amígdalas palatinas — é uma das condições mais frequentes que levam portugueses ao médico de família e ao serviço de urgência, especialmente durante os meses mais frios. Estima-se que a amigdalite aguda seja responsável por cerca de 6% de todas as consultas de medicina geral e familiar em Portugal, afetando principalmente crianças em idade escolar mas também adultos de todas as idades.

Apesar de raramente ser grave, a amigdalite pode causar desconforto intenso e, em casos não tratados ou diagnosticados tardiamente, originar complicações sérias. Conhecer os sintomas, saber distinguir a forma viral da bacteriana e identificar os sinais de alarme pode fazer toda a diferença.

Neste guia baseado nas orientações do SNS 24, da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da literatura médica atual, explicamos tudo o que precisa de saber sobre amigdalite.

Aviso médico: Este conteúdo é meramente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica, não estabelece diagnósticos nem prescreve tratamentos. Se apresenta sintomas que podem indicar amigdalite, consulte o seu médico assistente ou contacte o SNS 24 pelo telefone 808 24 24 24. Em caso de emergência, ligue 112.


O Que São as Amígdalas e a Amigdalite

As amígdalas palatinas são duas massas de tecido linfático localizadas de cada lado da entrada da garganta, entre as arcadas palatinas anterior e posterior. Fazem parte do anel de Waldeyer — um conjunto de estruturas linfáticas que inclui também as adenóides (amígdalas faríngeas), as amígdalas linguais e outros tecidos linfáticos da faringe.

A sua principal função é imunológica: as amígdalas funcionam como uma primeira linha de defesa contra agentes patogénicos que entram pela boca e nariz, produzindo anticorpos e ativando linfócitos T e B em resposta a infeções.

Fala-se em amigdalite quando estas estruturas ficam inflamadas, habitualmente em resposta a uma infeção viral ou bacteriana. O termo médico mais preciso é faringoamigdalite, uma vez que a faringe (parede posterior da garganta) está quase sempre co-envolvida.

Tipos de Amigdalite

A amigdalite pode ser classificada de várias formas:

ClassificaçãoTiposCaracterísticas Principais
Por duraçãoAgudaEpisódio único, duração < 3 semanas
CrónicaSintomas persistentes ou recorrentes
De repetição≥ 5 episódios/ano
Por causaViralCausa mais frequente (60-75% dos casos)
BacterianaStreptococcus pyogenes mais comum
MistaSobreinfeção bacteriana sobre vírus
Por gravidadeEritematosaAmígdalas vermelhas e inchadas
PseudomembranosaCom exsudado ou membrana
AbcedadaComplicação com formação de abcesso

Compreender esta classificação é importante porque o tratamento difere substancialmente consoante a causa — a amigdalite viral não beneficia de antibióticos, enquanto a bacteriana por estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA) requer antibioterapia obrigatória para evitar complicações.


Como Reconhecer os Sintomas de Amigdalite?

O quadro clínico da amigdalite varia consoante a causa, a idade do doente e a gravidade. No entanto, existem sintomas que são comuns à maioria dos casos.

Sintomas Principais da Amigdalite Aguda

Os sintomas mais frequentes de amigdalite aguda incluem:

  • Dor de garganta intensa — habitualmente de início súbito, agravada pela deglutição
  • Dificuldade em engolir (odinofagia) — um dos sintomas mais limitantes
  • Febre — pode variar entre ligeira (37,5°C) e muito alta (40°C ou mais), especialmente nas formas bacterianas
  • Amígdalas aumentadas e avermelhadas — visíveis ao abrir a boca em frente ao espelho
  • Exsudado amigdalino — pontos ou placas brancas/amareladas nas amígdalas (mais típico das formas bacterianas)
  • Gânglios cervicais aumentados e dolorosos — nódulos palpáveis no pescoço, por baixo da mandíbula
  • Mal-estar geral — fadiga, cansaço, falta de apetite
  • Mau hálito (halitose) — frequente devido ao processo inflamatório e à acumulação de detritos
  • Dor de cabeça — especialmente nas formas bacterianas
  • Dor de ouvido reflexa — causada pela partilha de vias nervosas entre a garganta e o ouvido

Sintomas de Amigdalite em Crianças

Nas crianças, a amigdalite pode apresentar-se de forma ligeiramente diferente, sendo por vezes mais difícil de identificar, especialmente em bebés e crianças pequenas que não conseguem verbalizar os sintomas.

Sinais de alerta em crianças incluem:

  • Recusa alimentar — a criança recusa comer ou beber, mesmo os seus alimentos preferidos
  • Babação excessiva — sinal de dificuldade grave em engolir
  • Choro persistente e irritabilidade incomum
  • Voz anasalada ou abafada
  • Respiração ruidosa ou pela boca durante o sono
  • Sono agitado ou apneias observadas pelos pais
  • Pescoço rígido — sinal de alarme que pode indicar complicações

É importante notar que em crianças pequenas a febre pode ser muito elevada (40-41°C) mesmo em infeções relativamente não graves. Febre alta em si não é necessariamente sinal de gravidade, mas deve ser sempre avaliada.

Sintomas de Amigdalite em Adultos

Nos adultos, a amigdalite tende a apresentar sintomas mais localizados e menos sistémicos do que nas crianças. A dor de garganta é habitualmente mais intensa e a odinofagia (dor ao engolir) pode ser tão severa que impede a hidratação adequada.

Nos adultos, é importante estar atento a sinais de complicações como o abcesso periamigdalino — mais comum em adolescentes e adultos jovens do que em crianças. A mononucleose infeciosa (causada pelo vírus de Epstein-Barr) deve ser considerada em jovens adultos com amigdalite severa, fadiga intensa e gânglios aumentados, especialmente quando não há resposta ao antibiótico habitual. Se também sente fadiga intensa e persistente associada à amigdalite, saiba mais sobre os sintomas de síndrome de fadiga crónica que pode estar relacionada com infeções virais recorrentes.


Amigdalite Bacteriana vs. Viral: Como Distinguir?

Uma das questões mais importantes no manejo da amigdalite é distinguir a forma viral da bacteriana, uma vez que só a segunda beneficia de antibioterapia. Esta distinção não é sempre óbvia clinicamente e pode requerer testes laboratoriais.

Quadro Comparativo: Viral vs. Bacteriana

CaracterísticaAmigdalite ViralAmigdalite Bacteriana (EBHGA)
InícioGradual (1-2 dias)Súbito
FebreHabitualmente baixa a moderadaAlta (> 38,5°C), frequente
Dor de gargantaModeradaIntensa, por vezes incapacitante
Exsudado nas amígdalasMenos frequenteFrequente (pontos ou placas brancas)
TosseFrequenteRara
Corrimento nasalFrequenteRaro
ConjuntivitePossível (adenovírus)Rara
Resposta a antibióticosSem benefícioMelhoria em 48-72h
Vírus/bactéria típicosRinovírus, adenovírus, EBV, CMVStreptococcus pyogenes

A Escala de Centor / McIsaac

Os médicos utilizam frequentemente a escala de Centor ou a sua versão modificada (McIsaac) para estimar a probabilidade de amigdalite estreptocócica e guiar a decisão de prescrever antibióticos:

Pontuação (1 ponto cada):

  • Exsudado amigdalino presente
  • Gânglios cervicais anteriores aumentados e dolorosos
  • Febre (temperatura > 38°C)
  • Ausência de tosse
  • Idade entre 3 e 14 anos (+1 ponto) / 15-44 anos (0 pontos) / ≥ 45 anos (-1 ponto)

Uma pontuação de 4 ou mais sugere alta probabilidade de etiologia estreptocócica. O teste rápido de estreptococo (TCAR) ou cultura de exsudado faríngeo podem confirmar o diagnóstico.


Causas e Fatores de Risco de Amigdalite

Causas Mais Frequentes

Vírus: são responsáveis pela maioria dos casos de amigdalite aguda:

  • Rinovírus e coronavírus — causas mais comuns de faringoamigdalites virais leves
  • Adenovírus — causa frequente em crianças, pode acompanhar-se de conjuntivite e febre elevada
  • Vírus influenza e parainfluenza — associados a quadros mais sistémicos
  • Vírus de Epstein-Barr (EBV) — causa a mononucleose infeciosa, com amigdalite severa e gânglios muito aumentados
  • Citomegalovírus (CMV) e herpesvírus — causas menos frequentes
  • SARS-CoV-2 — o vírus responsável pela Covid-19 pode causar quadros de faringoamigdalite, especialmente nas variantes mais recentes; conheça os sintomas atuais da Covid-19 para uma distinção correta

Bactérias: o agente bacteriano mais importante é o Streptococcus pyogenes (EBHGA — estreptococo beta-hemolítico do grupo A), responsável por cerca de 25-30% das amigdalites agudas. Outros agentes incluem Streptococcus dos grupos C e G, Arcanobacterium haemolyticum, Fusobacterium necrophorum e, mais raramente, Neisseria gonorrhoeae.

Fatores de Risco

Certos fatores aumentam a suscetibilidade a amigdalites:

  • Idade — crianças dos 5 aos 15 anos são o grupo mais afetado
  • Frequentar infantários ou escolas — ambientes com elevada circulação de agentes patogénicos
  • Sistema imunitário enfraquecido — por doenças crónicas, imunossupressores ou má nutrição
  • Exposição ao fumo de tabaco — irritante das mucosas respiratórias
  • Refluxo gastroesofágico — pode irritar cronicamente a garganta e facilitar infeções; se sofre de azia frequente, consulte o nosso artigo sobre sintomas de refluxo gastroesofágico que pode agravar as inflamações da garganta
  • Rinite alérgica e sinusite — a inflamação crónica das vias aéreas superiores predispõe a infeções secundárias; saiba mais sobre os sintomas de sinusite que frequentemente coexistem com a amigdalite
  • Estação do ano — mais prevalente no outono e inverno, e nas transições sazonais como a primavera

Como É Feito o Diagnóstico de Amigdalite

O diagnóstico de amigdalite é essencialmente clínico — baseado na história clínica e no exame físico, que inclui a observação da orofaringe com ajuda de uma fonte de luz (otoscópio ou lanterna).

O médico avalia:

  • O aspeto das amígdalas (tamanho, cor, presença de exsudado)
  • O estado da faringe posterior
  • Os gânglios cervicais
  • Sinais de complicações (trismo, abaulamento da parede faríngea)

Testes complementares podem ser realizados quando existe dúvida sobre a etiologia:

  • Teste rápido de antígeno (TCAR) para EBHGA — resultado em 5-10 minutos, sensibilidade de 70-90%
  • Cultura de exsudado faríngeo — padrão-ouro para confirmar infeção bacteriana, resultado em 24-48h
  • Hemograma — pode mostrar leucocitose com neutrofilia (bacteriana) ou linfocitose com linfócitos atípicos (mononucleose)
  • Serologia EBV — se mononucleose infeciosa for suspeita

Tratamento da Amigdalite

Tratamento Sintomático (Viral e Bacteriana)

Independentemente da causa, o tratamento de suporte inclui:

  • Repouso e hidratação abundante (água, chás mornos, caldos)
  • Analgésicos e antipiréticos (paracetamol ou ibuprofeno) para alívio da dor e febre
  • Bochechos com água morna salgada — ajudam a aliviar a inflamação local
  • Pastilhas anestésicas para alívio temporário da dor de garganta
  • Alimentação mole — gelados, iogurtes, puré e sopas durante a fase aguda
  • Evitar esforços físicos e ambientes com ar frio e seco

Antibioterapia: Quando e Qual?

A antibioterapia está indicada nas amigdalites com alta probabilidade ou confirmação laboratorial de etiologia estreptocócica. A prescrição baseada apenas nos sintomas, sem critérios objetivos, contribui para o problema global de resistência aos antibióticos — um tema de crescente preocupação em Portugal.

Antibiótico de primeira linha: Penicilina V oral durante 10 dias, ou amoxicilina durante 5-10 dias (eficácia equivalente, melhor palatabilidade para crianças). Em caso de alergia à penicilina, podem ser usadas cefalosporinas de 1ª geração, clindamicina ou um macrólido.

Nunca use ampicilina/amoxicilina se a mononucleose infeciosa for suspeita — pode provocar uma erupção cutânea generalizada e intensa.

Importante: O ciclo completo de antibiótico deve ser sempre terminado, mesmo que os sintomas melhorem ao fim de 2-3 dias, para evitar recidiva e complicações.

Amigdalite de Repetição: Quando Operar?

A amigdalectomia (remoção cirúrgica das amígdalas) é uma das cirurgias mais realizadas em otorrinolaringologia pediátrica em Portugal. Contudo, as indicações são cada vez mais criteriosasface às evidências sobre riscos e benefícios.

A cirurgia pode ser considerada quando:

  • Critérios Paradise modificados: 7 episódios documentados num ano, 5 por ano em 2 anos consecutivos, ou 3 por ano em 3 anos consecutivos
  • Amigdalite obstrutiva: amígdalas muito aumentadas que causam dificuldade respiratória ou apneia do sono
  • Abcesso periamigdalino recorrente: dois ou mais episódios
  • Suspeita de neoplasia amigdalina

A decisão deve sempre envolver o otorrinolaringologista, o médico de família e, claro, o doente ou os seus pais. A cirurgia não está isenta de riscos (hemorragia, dor pós-operatória, anestesia) e o tecido amigdalino desempenha funções imunológicas relevantes nos primeiros anos de vida.


Complicações da Amigdalite Não Tratada

A maioria das amigdalites resolve sem complicações. Contudo, as formas bacterianas não tratadas podem originar:

Complicações Locais

  • Abcesso periamigdalino — coleção de pus entre a amígdala e a parede faríngea; urgência cirúrgica
  • Abcesso retrofaríngeo — mais raro, mais grave, requer drenagem cirúrgica urgente
  • Otite média aguda — infeção do ouvido médio por extensão da infeção; saiba mais sobre os sintomas de otite que podem surgir como complicação da amigdalite
  • Sinusite — por extensão da infeção às cavidades perinasais

Complicações Sistémicas (Mais Raras)

  • Febre reumática — complicação pós-estreptocócica que pode afetar o coração, articulações e sistema nervoso; rara em Portugal mas ainda documentada
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica — inflamação dos rins após infeção estreptocócica
  • Síndrome de Lemierre — tromboflebite séptica da veia jugular interna; muito rara mas potencialmente fatal, associada ao Fusobacterium necrophorum em jovens adultos

Quando Consultar um Médico por Amigdalite

A maioria das amigdalites pode ser monitorizada em casa nos primeiros 2-3 dias. Contudo, deve procurar ajuda médica — no médico de família, no SNS 24 (808 24 24 24) ou no serviço de urgência — nas seguintes situações:

Consulta médica não urgente:

  • Dor de garganta intensa que não melhora em 3-5 dias
  • Febre acima de 38,5°C por mais de 48 horas
  • Amígdalas com exsudado (pontos brancos) ou muito aumentadas
  • Gânglios cervicais muito dolorosos ou visivelmente aumentados
  • Criança que recusa comer ou beber há mais de 24 horas
  • Suspeita de amigdalite de repetição (mais de 4-5 episódios no último ano)

Urgência — procure ajuda imediata ou ligue 112:

  • Dificuldade grave em respirar ou respiração ruidosa
  • Incapacidade de engolir saliva (babação constante)
  • Dificuldade em abrir a boca (trismo)
  • Dor unilateral muito intensa na garganta (possível abcesso periamigdalino)
  • Desvio da úvula para um lado
  • Rigidez do pescoço associada a febre alta (possível meningite — veja os sintomas de meningite para reconhecer este sinal de alarme)
  • Criança com menos de 3 meses com febre
  • Desidratação grave (boca muito seca, choro sem lágrimas, ausência de urina há mais de 8 horas)

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Amigdalite

O que é a amigdalite? Principais sintomas

A amigdalite é a inflamação das amígdalas palatinas, causada mais frequentemente por vírus e, em cerca de 30% dos casos, por bactérias (principalmente o estreptococo do grupo A). Os sintomas principais incluem dor de garganta intensa, dificuldade em engolir, febre, amígdalas aumentadas e avermelhadas (por vezes com pontos brancos), gânglios cervicais inchados e mal-estar geral.

Posso ter amigdalite sem febre?

Sim. Algumas formas de amigdalite, especialmente as virais ou as amigdalites crónicas, podem ocorrer sem febre ou com febre baixa (abaixo de 38°C). A ausência de febre não significa que a condição seja menos importante. A presença de dor de garganta persistente, amígdalas aumentadas e dificuldade em engolir justifica sempre a avaliação médica, mesmo sem febre.

Quanto tempo dura uma amigdalite?

Uma amigdalite viral não tratada com antibióticos dura habitualmente entre 5 a 7 dias, resolvendo-se espontaneamente. A amigdalite bacteriana tratada com antibióticos (penicilina ou amoxicilina) melhora significativamente dentro de 48 a 72 horas após o início do tratamento, embora o ciclo completo de antibiótico deva ser sempre concluído. Sem tratamento adequado, a amigdalite bacteriana pode prolongar-se por mais de 10 dias e originar complicações.

Qual é a diferença entre amigdalite e faringite?

A amigdalite é a inflamação específica das amígdalas palatinas (as massas de tecido linfático visíveis de cada lado da garganta), enquanto a faringite é a inflamação da faringe (a parede posterior da garganta). Na prática, as duas condições coexistem frequentemente — chamando-se então faringoamigdalite. A amigdalite tende a causar dor mais intensa, amígdalas visivelmente aumentadas e, nas formas bacterianas, exsudado purulento (pontos brancos). A faringite isolada apresenta geralmente sintomas mais difusos e menos localizados.

A amigdalite em crianças é mais grave do que nos adultos?

As crianças são mais vulneráveis a amigdalites de repetição porque o tecido amigdalino é mais abundante e ativo nos primeiros anos de vida. Além disso, uma amigdalite grave pode causar obstrução respiratória mais facilmente em crianças pequenas, devido ao menor calibre das vias aéreas. Nos adultos, o abcesso periamigdalino (complicação mais temida) é relativamente mais comum. Em ambos os casos, a amigdalite raramente é fatal mas pode dar origem a complicações sérias se não tratada.

A amigdalite é contagiosa?

Sim, a amigdalite é contagiosa, especialmente nas primeiras 24 a 48 horas antes do diagnóstico e início do tratamento. Transmite-se por via aérea (gotículas de saliva ao falar, tossir ou espirrar) e por contacto direto. Uma pessoa tratada com antibióticos para amigdalite bacteriana deixa de ser contagiosa após 24 a 48 horas de tratamento. Recomenda-se evitar locais públicos, partilha de utensílios e contacto próximo durante este período.

Quantas amigdalites por ano justificam operar?

As guidelines internacionais (Paradise criteria) indicam que a amigdalectomia pode ser considerada a partir de 7 episódios num ano, 5 episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou 3 episódios por ano em 3 anos consecutivos — desde que cada episódio seja documentado com febre, exsudado amigdalino, gânglios cervicais ou resultado positivo para estreptococo. A decisão final deve ser tomada pelo otorrinolaringologista em conjunto com o doente (e a família, no caso de crianças).

O que é um abcesso periamigdalino e como reconhecê-lo?

O abcesso periamigdalino é uma complicação da amigdalite bacteriana em que se forma uma coleção de pus no espaço entre a amígdala e a parede faríngea. Reconhece-se por dor de garganta intensa unilateral (de um só lado), dificuldade grave em abrir a boca (trismo), voz “abafada” ou “de batata quente”, salivação excessiva, febre alta e desvio da úvula. É uma urgência médica — o tratamento inclui drenagem cirúrgica e antibioterapia endovenosa.


Recursos e Referências

  • SNS 24 — Linha de saúde: 808 24 24 24
  • Direção-Geral da Saúde (DGS) — Normas e orientações clínicas sobre infeções respiratórias
  • Organização Mundial da Saúde (OMS) — Uso racional de antibióticos e resistência antimicrobiana
  • Shulman ST, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of Group A Streptococcal Pharyngitis. IDSA, 2012
  • Windfuhr JP, et al. Clinical indications for tonsillectomy. GMS Current Topics in Otorhinolaryngology, 2016

Conteúdo revisto e atualizado pela Equipa Sintomas.pt com base nas orientações da DGS e SNS. Este artigo não substitui uma consulta médica. Para aconselhamento personalizado, contacte o seu médico assistente ou ligue para o SNS 24: 808 24 24 24.

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