A amigdalite — inflamação das amígdalas palatinas — é uma das condições mais frequentes que levam portugueses ao médico de família e ao serviço de urgência, especialmente durante os meses mais frios. Estima-se que a amigdalite aguda seja responsável por cerca de 6% de todas as consultas de medicina geral e familiar em Portugal, afetando principalmente crianças em idade escolar mas também adultos de todas as idades.
Apesar de raramente ser grave, a amigdalite pode causar desconforto intenso e, em casos não tratados ou diagnosticados tardiamente, originar complicações sérias. Conhecer os sintomas, saber distinguir a forma viral da bacteriana e identificar os sinais de alarme pode fazer toda a diferença.
Neste guia baseado nas orientações do SNS 24, da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da literatura médica atual, explicamos tudo o que precisa de saber sobre amigdalite.
Aviso médico: Este conteúdo é meramente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica, não estabelece diagnósticos nem prescreve tratamentos. Se apresenta sintomas que podem indicar amigdalite, consulte o seu médico assistente ou contacte o SNS 24 pelo telefone 808 24 24 24. Em caso de emergência, ligue 112.
O Que São as Amígdalas e a Amigdalite
As amígdalas palatinas são duas massas de tecido linfático localizadas de cada lado da entrada da garganta, entre as arcadas palatinas anterior e posterior. Fazem parte do anel de Waldeyer — um conjunto de estruturas linfáticas que inclui também as adenóides (amígdalas faríngeas), as amígdalas linguais e outros tecidos linfáticos da faringe.
A sua principal função é imunológica: as amígdalas funcionam como uma primeira linha de defesa contra agentes patogénicos que entram pela boca e nariz, produzindo anticorpos e ativando linfócitos T e B em resposta a infeções.
Fala-se em amigdalite quando estas estruturas ficam inflamadas, habitualmente em resposta a uma infeção viral ou bacteriana. O termo médico mais preciso é faringoamigdalite, uma vez que a faringe (parede posterior da garganta) está quase sempre co-envolvida.
Tipos de Amigdalite
A amigdalite pode ser classificada de várias formas:
| Classificação | Tipos | Características Principais |
|---|---|---|
| Por duração | Aguda | Episódio único, duração < 3 semanas |
| Crónica | Sintomas persistentes ou recorrentes | |
| De repetição | ≥ 5 episódios/ano | |
| Por causa | Viral | Causa mais frequente (60-75% dos casos) |
| Bacteriana | Streptococcus pyogenes mais comum | |
| Mista | Sobreinfeção bacteriana sobre vírus | |
| Por gravidade | Eritematosa | Amígdalas vermelhas e inchadas |
| Pseudomembranosa | Com exsudado ou membrana | |
| Abcedada | Complicação com formação de abcesso |
Compreender esta classificação é importante porque o tratamento difere substancialmente consoante a causa — a amigdalite viral não beneficia de antibióticos, enquanto a bacteriana por estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA) requer antibioterapia obrigatória para evitar complicações.
Como Reconhecer os Sintomas de Amigdalite?
O quadro clínico da amigdalite varia consoante a causa, a idade do doente e a gravidade. No entanto, existem sintomas que são comuns à maioria dos casos.
Sintomas Principais da Amigdalite Aguda
Os sintomas mais frequentes de amigdalite aguda incluem:
- Dor de garganta intensa — habitualmente de início súbito, agravada pela deglutição
- Dificuldade em engolir (odinofagia) — um dos sintomas mais limitantes
- Febre — pode variar entre ligeira (37,5°C) e muito alta (40°C ou mais), especialmente nas formas bacterianas
- Amígdalas aumentadas e avermelhadas — visíveis ao abrir a boca em frente ao espelho
- Exsudado amigdalino — pontos ou placas brancas/amareladas nas amígdalas (mais típico das formas bacterianas)
- Gânglios cervicais aumentados e dolorosos — nódulos palpáveis no pescoço, por baixo da mandíbula
- Mal-estar geral — fadiga, cansaço, falta de apetite
- Mau hálito (halitose) — frequente devido ao processo inflamatório e à acumulação de detritos
- Dor de cabeça — especialmente nas formas bacterianas
- Dor de ouvido reflexa — causada pela partilha de vias nervosas entre a garganta e o ouvido
Sintomas de Amigdalite em Crianças
Nas crianças, a amigdalite pode apresentar-se de forma ligeiramente diferente, sendo por vezes mais difícil de identificar, especialmente em bebés e crianças pequenas que não conseguem verbalizar os sintomas.
Sinais de alerta em crianças incluem:
- Recusa alimentar — a criança recusa comer ou beber, mesmo os seus alimentos preferidos
- Babação excessiva — sinal de dificuldade grave em engolir
- Choro persistente e irritabilidade incomum
- Voz anasalada ou abafada
- Respiração ruidosa ou pela boca durante o sono
- Sono agitado ou apneias observadas pelos pais
- Pescoço rígido — sinal de alarme que pode indicar complicações
É importante notar que em crianças pequenas a febre pode ser muito elevada (40-41°C) mesmo em infeções relativamente não graves. Febre alta em si não é necessariamente sinal de gravidade, mas deve ser sempre avaliada.
Sintomas de Amigdalite em Adultos
Nos adultos, a amigdalite tende a apresentar sintomas mais localizados e menos sistémicos do que nas crianças. A dor de garganta é habitualmente mais intensa e a odinofagia (dor ao engolir) pode ser tão severa que impede a hidratação adequada.
Nos adultos, é importante estar atento a sinais de complicações como o abcesso periamigdalino — mais comum em adolescentes e adultos jovens do que em crianças. A mononucleose infeciosa (causada pelo vírus de Epstein-Barr) deve ser considerada em jovens adultos com amigdalite severa, fadiga intensa e gânglios aumentados, especialmente quando não há resposta ao antibiótico habitual. Se também sente fadiga intensa e persistente associada à amigdalite, saiba mais sobre os sintomas de síndrome de fadiga crónica que pode estar relacionada com infeções virais recorrentes.
Amigdalite Bacteriana vs. Viral: Como Distinguir?
Uma das questões mais importantes no manejo da amigdalite é distinguir a forma viral da bacteriana, uma vez que só a segunda beneficia de antibioterapia. Esta distinção não é sempre óbvia clinicamente e pode requerer testes laboratoriais.
Quadro Comparativo: Viral vs. Bacteriana
| Característica | Amigdalite Viral | Amigdalite Bacteriana (EBHGA) |
|---|---|---|
| Início | Gradual (1-2 dias) | Súbito |
| Febre | Habitualmente baixa a moderada | Alta (> 38,5°C), frequente |
| Dor de garganta | Moderada | Intensa, por vezes incapacitante |
| Exsudado nas amígdalas | Menos frequente | Frequente (pontos ou placas brancas) |
| Tosse | Frequente | Rara |
| Corrimento nasal | Frequente | Raro |
| Conjuntivite | Possível (adenovírus) | Rara |
| Resposta a antibióticos | Sem benefício | Melhoria em 48-72h |
| Vírus/bactéria típicos | Rinovírus, adenovírus, EBV, CMV | Streptococcus pyogenes |
A Escala de Centor / McIsaac
Os médicos utilizam frequentemente a escala de Centor ou a sua versão modificada (McIsaac) para estimar a probabilidade de amigdalite estreptocócica e guiar a decisão de prescrever antibióticos:
Pontuação (1 ponto cada):
- Exsudado amigdalino presente
- Gânglios cervicais anteriores aumentados e dolorosos
- Febre (temperatura > 38°C)
- Ausência de tosse
- Idade entre 3 e 14 anos (+1 ponto) / 15-44 anos (0 pontos) / ≥ 45 anos (-1 ponto)
Uma pontuação de 4 ou mais sugere alta probabilidade de etiologia estreptocócica. O teste rápido de estreptococo (TCAR) ou cultura de exsudado faríngeo podem confirmar o diagnóstico.
Causas e Fatores de Risco de Amigdalite
Causas Mais Frequentes
Vírus: são responsáveis pela maioria dos casos de amigdalite aguda:
- Rinovírus e coronavírus — causas mais comuns de faringoamigdalites virais leves
- Adenovírus — causa frequente em crianças, pode acompanhar-se de conjuntivite e febre elevada
- Vírus influenza e parainfluenza — associados a quadros mais sistémicos
- Vírus de Epstein-Barr (EBV) — causa a mononucleose infeciosa, com amigdalite severa e gânglios muito aumentados
- Citomegalovírus (CMV) e herpesvírus — causas menos frequentes
- SARS-CoV-2 — o vírus responsável pela Covid-19 pode causar quadros de faringoamigdalite, especialmente nas variantes mais recentes; conheça os sintomas atuais da Covid-19 para uma distinção correta
Bactérias: o agente bacteriano mais importante é o Streptococcus pyogenes (EBHGA — estreptococo beta-hemolítico do grupo A), responsável por cerca de 25-30% das amigdalites agudas. Outros agentes incluem Streptococcus dos grupos C e G, Arcanobacterium haemolyticum, Fusobacterium necrophorum e, mais raramente, Neisseria gonorrhoeae.
Fatores de Risco
Certos fatores aumentam a suscetibilidade a amigdalites:
- Idade — crianças dos 5 aos 15 anos são o grupo mais afetado
- Frequentar infantários ou escolas — ambientes com elevada circulação de agentes patogénicos
- Sistema imunitário enfraquecido — por doenças crónicas, imunossupressores ou má nutrição
- Exposição ao fumo de tabaco — irritante das mucosas respiratórias
- Refluxo gastroesofágico — pode irritar cronicamente a garganta e facilitar infeções; se sofre de azia frequente, consulte o nosso artigo sobre sintomas de refluxo gastroesofágico que pode agravar as inflamações da garganta
- Rinite alérgica e sinusite — a inflamação crónica das vias aéreas superiores predispõe a infeções secundárias; saiba mais sobre os sintomas de sinusite que frequentemente coexistem com a amigdalite
- Estação do ano — mais prevalente no outono e inverno, e nas transições sazonais como a primavera
Como É Feito o Diagnóstico de Amigdalite
O diagnóstico de amigdalite é essencialmente clínico — baseado na história clínica e no exame físico, que inclui a observação da orofaringe com ajuda de uma fonte de luz (otoscópio ou lanterna).
O médico avalia:
- O aspeto das amígdalas (tamanho, cor, presença de exsudado)
- O estado da faringe posterior
- Os gânglios cervicais
- Sinais de complicações (trismo, abaulamento da parede faríngea)
Testes complementares podem ser realizados quando existe dúvida sobre a etiologia:
- Teste rápido de antígeno (TCAR) para EBHGA — resultado em 5-10 minutos, sensibilidade de 70-90%
- Cultura de exsudado faríngeo — padrão-ouro para confirmar infeção bacteriana, resultado em 24-48h
- Hemograma — pode mostrar leucocitose com neutrofilia (bacteriana) ou linfocitose com linfócitos atípicos (mononucleose)
- Serologia EBV — se mononucleose infeciosa for suspeita
Tratamento da Amigdalite
Tratamento Sintomático (Viral e Bacteriana)
Independentemente da causa, o tratamento de suporte inclui:
- Repouso e hidratação abundante (água, chás mornos, caldos)
- Analgésicos e antipiréticos (paracetamol ou ibuprofeno) para alívio da dor e febre
- Bochechos com água morna salgada — ajudam a aliviar a inflamação local
- Pastilhas anestésicas para alívio temporário da dor de garganta
- Alimentação mole — gelados, iogurtes, puré e sopas durante a fase aguda
- Evitar esforços físicos e ambientes com ar frio e seco
Antibioterapia: Quando e Qual?
A antibioterapia está indicada nas amigdalites com alta probabilidade ou confirmação laboratorial de etiologia estreptocócica. A prescrição baseada apenas nos sintomas, sem critérios objetivos, contribui para o problema global de resistência aos antibióticos — um tema de crescente preocupação em Portugal.
Antibiótico de primeira linha: Penicilina V oral durante 10 dias, ou amoxicilina durante 5-10 dias (eficácia equivalente, melhor palatabilidade para crianças). Em caso de alergia à penicilina, podem ser usadas cefalosporinas de 1ª geração, clindamicina ou um macrólido.
Nunca use ampicilina/amoxicilina se a mononucleose infeciosa for suspeita — pode provocar uma erupção cutânea generalizada e intensa.
Importante: O ciclo completo de antibiótico deve ser sempre terminado, mesmo que os sintomas melhorem ao fim de 2-3 dias, para evitar recidiva e complicações.
Amigdalite de Repetição: Quando Operar?
A amigdalectomia (remoção cirúrgica das amígdalas) é uma das cirurgias mais realizadas em otorrinolaringologia pediátrica em Portugal. Contudo, as indicações são cada vez mais criteriosasface às evidências sobre riscos e benefícios.
A cirurgia pode ser considerada quando:
- Critérios Paradise modificados: 7 episódios documentados num ano, 5 por ano em 2 anos consecutivos, ou 3 por ano em 3 anos consecutivos
- Amigdalite obstrutiva: amígdalas muito aumentadas que causam dificuldade respiratória ou apneia do sono
- Abcesso periamigdalino recorrente: dois ou mais episódios
- Suspeita de neoplasia amigdalina
A decisão deve sempre envolver o otorrinolaringologista, o médico de família e, claro, o doente ou os seus pais. A cirurgia não está isenta de riscos (hemorragia, dor pós-operatória, anestesia) e o tecido amigdalino desempenha funções imunológicas relevantes nos primeiros anos de vida.
Complicações da Amigdalite Não Tratada
A maioria das amigdalites resolve sem complicações. Contudo, as formas bacterianas não tratadas podem originar:
Complicações Locais
- Abcesso periamigdalino — coleção de pus entre a amígdala e a parede faríngea; urgência cirúrgica
- Abcesso retrofaríngeo — mais raro, mais grave, requer drenagem cirúrgica urgente
- Otite média aguda — infeção do ouvido médio por extensão da infeção; saiba mais sobre os sintomas de otite que podem surgir como complicação da amigdalite
- Sinusite — por extensão da infeção às cavidades perinasais
Complicações Sistémicas (Mais Raras)
- Febre reumática — complicação pós-estreptocócica que pode afetar o coração, articulações e sistema nervoso; rara em Portugal mas ainda documentada
- Glomerulonefrite pós-estreptocócica — inflamação dos rins após infeção estreptocócica
- Síndrome de Lemierre — tromboflebite séptica da veia jugular interna; muito rara mas potencialmente fatal, associada ao Fusobacterium necrophorum em jovens adultos
Quando Consultar um Médico por Amigdalite
A maioria das amigdalites pode ser monitorizada em casa nos primeiros 2-3 dias. Contudo, deve procurar ajuda médica — no médico de família, no SNS 24 (808 24 24 24) ou no serviço de urgência — nas seguintes situações:
Consulta médica não urgente:
- Dor de garganta intensa que não melhora em 3-5 dias
- Febre acima de 38,5°C por mais de 48 horas
- Amígdalas com exsudado (pontos brancos) ou muito aumentadas
- Gânglios cervicais muito dolorosos ou visivelmente aumentados
- Criança que recusa comer ou beber há mais de 24 horas
- Suspeita de amigdalite de repetição (mais de 4-5 episódios no último ano)
Urgência — procure ajuda imediata ou ligue 112:
- Dificuldade grave em respirar ou respiração ruidosa
- Incapacidade de engolir saliva (babação constante)
- Dificuldade em abrir a boca (trismo)
- Dor unilateral muito intensa na garganta (possível abcesso periamigdalino)
- Desvio da úvula para um lado
- Rigidez do pescoço associada a febre alta (possível meningite — veja os sintomas de meningite para reconhecer este sinal de alarme)
- Criança com menos de 3 meses com febre
- Desidratação grave (boca muito seca, choro sem lágrimas, ausência de urina há mais de 8 horas)
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Amigdalite
O que é a amigdalite? Principais sintomas
A amigdalite é a inflamação das amígdalas palatinas, causada mais frequentemente por vírus e, em cerca de 30% dos casos, por bactérias (principalmente o estreptococo do grupo A). Os sintomas principais incluem dor de garganta intensa, dificuldade em engolir, febre, amígdalas aumentadas e avermelhadas (por vezes com pontos brancos), gânglios cervicais inchados e mal-estar geral.
Posso ter amigdalite sem febre?
Sim. Algumas formas de amigdalite, especialmente as virais ou as amigdalites crónicas, podem ocorrer sem febre ou com febre baixa (abaixo de 38°C). A ausência de febre não significa que a condição seja menos importante. A presença de dor de garganta persistente, amígdalas aumentadas e dificuldade em engolir justifica sempre a avaliação médica, mesmo sem febre.
Quanto tempo dura uma amigdalite?
Uma amigdalite viral não tratada com antibióticos dura habitualmente entre 5 a 7 dias, resolvendo-se espontaneamente. A amigdalite bacteriana tratada com antibióticos (penicilina ou amoxicilina) melhora significativamente dentro de 48 a 72 horas após o início do tratamento, embora o ciclo completo de antibiótico deva ser sempre concluído. Sem tratamento adequado, a amigdalite bacteriana pode prolongar-se por mais de 10 dias e originar complicações.
Qual é a diferença entre amigdalite e faringite?
A amigdalite é a inflamação específica das amígdalas palatinas (as massas de tecido linfático visíveis de cada lado da garganta), enquanto a faringite é a inflamação da faringe (a parede posterior da garganta). Na prática, as duas condições coexistem frequentemente — chamando-se então faringoamigdalite. A amigdalite tende a causar dor mais intensa, amígdalas visivelmente aumentadas e, nas formas bacterianas, exsudado purulento (pontos brancos). A faringite isolada apresenta geralmente sintomas mais difusos e menos localizados.
A amigdalite em crianças é mais grave do que nos adultos?
As crianças são mais vulneráveis a amigdalites de repetição porque o tecido amigdalino é mais abundante e ativo nos primeiros anos de vida. Além disso, uma amigdalite grave pode causar obstrução respiratória mais facilmente em crianças pequenas, devido ao menor calibre das vias aéreas. Nos adultos, o abcesso periamigdalino (complicação mais temida) é relativamente mais comum. Em ambos os casos, a amigdalite raramente é fatal mas pode dar origem a complicações sérias se não tratada.
A amigdalite é contagiosa?
Sim, a amigdalite é contagiosa, especialmente nas primeiras 24 a 48 horas antes do diagnóstico e início do tratamento. Transmite-se por via aérea (gotículas de saliva ao falar, tossir ou espirrar) e por contacto direto. Uma pessoa tratada com antibióticos para amigdalite bacteriana deixa de ser contagiosa após 24 a 48 horas de tratamento. Recomenda-se evitar locais públicos, partilha de utensílios e contacto próximo durante este período.
Quantas amigdalites por ano justificam operar?
As guidelines internacionais (Paradise criteria) indicam que a amigdalectomia pode ser considerada a partir de 7 episódios num ano, 5 episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou 3 episódios por ano em 3 anos consecutivos — desde que cada episódio seja documentado com febre, exsudado amigdalino, gânglios cervicais ou resultado positivo para estreptococo. A decisão final deve ser tomada pelo otorrinolaringologista em conjunto com o doente (e a família, no caso de crianças).
O que é um abcesso periamigdalino e como reconhecê-lo?
O abcesso periamigdalino é uma complicação da amigdalite bacteriana em que se forma uma coleção de pus no espaço entre a amígdala e a parede faríngea. Reconhece-se por dor de garganta intensa unilateral (de um só lado), dificuldade grave em abrir a boca (trismo), voz “abafada” ou “de batata quente”, salivação excessiva, febre alta e desvio da úvula. É uma urgência médica — o tratamento inclui drenagem cirúrgica e antibioterapia endovenosa.
Recursos e Referências
- SNS 24 — Linha de saúde: 808 24 24 24
- Direção-Geral da Saúde (DGS) — Normas e orientações clínicas sobre infeções respiratórias
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Uso racional de antibióticos e resistência antimicrobiana
- Shulman ST, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of Group A Streptococcal Pharyngitis. IDSA, 2012
- Windfuhr JP, et al. Clinical indications for tonsillectomy. GMS Current Topics in Otorhinolaryngology, 2016
Conteúdo revisto e atualizado pela Equipa Sintomas.pt com base nas orientações da DGS e SNS. Este artigo não substitui uma consulta médica. Para aconselhamento personalizado, contacte o seu médico assistente ou ligue para o SNS 24: 808 24 24 24.

