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HPV: Sintomas e O Que Saber

Equipa Sintomas.pt 15 de março de 2026 #HPV #vírus do papiloma humano #condilomas
Ilustração informativa sobre o vírus do papiloma humano (HPV) e os seus sintomas

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

O vírus do papiloma humano, mais conhecido como HPV, é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes em todo o mundo. Estima-se que a grande maioria das pessoas sexualmente ativas entre em contacto com este vírus em algum momento da vida, frequentemente sem o saber.

Neste guia, explicamos o que é o HPV, quais os sintomas que pode causar, os diferentes tipos de vírus, os riscos associados e as opções de prevenção disponíveis em Portugal, incluindo a vacinação no âmbito do Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta médica. Se suspeita de infeção por HPV ou apresenta sintomas, consulte o seu médico de família ou contacte o SNS 24 (808 24 24 24). Em caso de emergência, ligue 112.


O Que É o HPV

O HPV (vírus do papiloma humano) é um grupo de mais de 200 tipos de vírus que podem infetar a pele e as mucosas. Destes, cerca de 40 tipos afetam preferencialmente a região anogenital e a orofaringe.

A infeção por HPV é extremamente comum e, na maioria dos casos, o sistema imunitário consegue eliminar o vírus de forma espontânea num período de 1 a 2 anos. No entanto, quando a infeção persiste, pode dar origem a verrugas (condilomas) ou, nos casos mais preocupantes, a lesões pré-cancerosas e cancro.

Tipos de HPV: Baixo Risco e Alto Risco

Os diferentes tipos de HPV são classificados consoante o risco que representam para a saúde:

ClassificaçãoTipos Mais ComunsConsequências Possíveis
Baixo riscoHPV 6, 11Verrugas genitais (condilomas), papilomatose respiratória
Alto riscoHPV 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58Lesões pré-cancerosas e cancro (colo do útero, ânus, pénis, orofaringe)

Os tipos HPV 16 e HPV 18 são responsáveis pela maioria dos casos de cancro associados ao HPV. Os tipos 6 e 11 causam a grande maioria das verrugas genitais, mas não estão associados a cancro.

Como Se Transmite o HPV

A principal via de transmissão do HPV é o contacto sexual, incluindo:

  • Relações sexuais vaginais, anais ou orais
  • Contacto íntimo pele a pele na zona genital
  • Partilha de objetos sexuais contaminados

É importante saber que o HPV pode ser transmitido mesmo na ausência de sintomas visíveis e que o preservativo, embora reduza significativamente o risco, não confere proteção total, uma vez que o vírus pode estar presente em zonas não cobertas.


Sintomas Principais

Uma das características mais relevantes do HPV é que a maioria das infeções é assintomática. A pessoa pode estar infetada durante meses ou anos sem apresentar qualquer sinal. Quando surgem sintomas, estes dependem do tipo de HPV envolvido.

Verrugas Genitais (Condilomas)

As verrugas genitais, ou condilomas acuminados, são o sintoma mais visível do HPV de baixo risco. Podem apresentar-se como:

  • Pequenas saliências na pele, com aspeto de couve-flor ou superfície lisa
  • Lesões planas ou elevadas de cor rosada, esbranquiçada ou da cor da pele
  • Agrupadas ou isoladas, de tamanho variável

As localizações mais frequentes incluem:

  • Nas mulheres: vulva, vagina, colo do útero, ânus e zona perianal
  • Nos homens: pénis (glande, prepúcio, corpo), escroto, ânus e zona perianal
  • Em ambos os sexos: virilhas, coxas e orofaringe (mais raro)

Sintomas Menos Comuns

Embora menos frequentes, outros sintomas que podem estar associados ao HPV incluem:

  • Comichão ou irritação na zona genital
  • Ardor ou desconforto durante as relações sexuais
  • Corrimento vaginal anormal
  • Hemorragia vaginal fora do período menstrual ou após relações sexuais
  • Sensação de pressão ou desconforto na zona pélvica

Nota: Estes sintomas podem ter múltiplas causas e não significam necessariamente infeção por HPV. Apenas um profissional de saúde pode fazer a avaliação adequada.


Causas Possíveis e Fatores de Risco

A infeção por HPV ocorre através do contacto com o vírus, mas determinados fatores podem aumentar a probabilidade de infeção ou de desenvolvimento de complicações.

Fatores de Risco para Infeção

  • Início precoce da atividade sexual — quanto mais cedo se inicia a vida sexual, maior a probabilidade de exposição
  • Múltiplos parceiros sexuais — cada novo parceiro aumenta o risco de contacto com o vírus
  • Sistema imunitário debilitado — pessoas com imunodeficiência (ex.: VIH/SIDA, transplantados) têm maior dificuldade em eliminar o vírus
  • Não utilização de preservativo — embora não elimine totalmente o risco, o preservativo reduz-o de forma significativa
  • Tabagismo — associado a maior persistência da infeção e maior risco de progressão para lesões pré-cancerosas
  • Uso prolongado de contracetivos hormonais — alguns estudos sugerem uma possível associação com maior risco de cancro cervical em mulheres com HPV persistente

Fatores de Risco para Complicações

  • Infeção persistente por tipos de HPV de alto risco
  • Ausência de rastreio regular (citologia ou teste de HPV)
  • Coinfecção com outras infeções sexualmente transmissíveis
  • Deficiências nutricionais e tabagismo

Sintomas Associados e Complicações

Quando a infeção por HPV persiste sem ser detetada ou tratada, pode dar origem a complicações de gravidade variável.

Lesões Pré-Cancerosas

Os tipos de HPV de alto risco podem causar alterações celulares que, ao longo de anos, podem evoluir para lesões pré-cancerosas. No colo do útero, estas lesões são designadas por:

  • LSIL (lesão intraepitelial de baixo grau) — alterações ligeiras que, frequentemente, regridem espontaneamente
  • HSIL (lesão intraepitelial de alto grau) — alterações mais significativas que podem exigir tratamento para evitar progressão para cancro

Cancros Associados ao HPV

O HPV está associado a vários tipos de cancro, sendo o cancro do colo do útero o mais conhecido:

Tipo de CancroAssociação com HPVObservações
Colo do úteroCerca de 99% dos casosPrincipal causa de cancro associado ao HPV
ÂnusCerca de 90% dos casosAfeta ambos os sexos
OrofaringeCerca de 70% dos casosMais frequente em homens
PénisCerca de 50% dos casosRelativamente raro
Vagina e vulvaCerca de 70% dos casosMenos frequente que o cervical

Em Portugal, estima-se que existam cerca de 1000 novos casos de cancro do colo do útero por ano, a maioria dos quais associados a infeção por HPV.

Outras Complicações

  • Papilomatose respiratória recorrente — causada pelos tipos 6 e 11, pode ocorrer em crianças infetadas durante o parto, provocando verrugas nas vias aéreas
  • Impacto psicológico — o diagnóstico de HPV pode causar ansiedade, estigma e preocupação, especialmente em relação ao risco oncológico

Quando Consultar um Médico

É aconselhável procurar orientação médica nas seguintes situações:

  • Presença de verrugas ou lesões na zona genital, anal ou oral
  • Corrimento vaginal anormal ou hemorragia fora do período menstrual
  • Dor ou desconforto persistente na zona pélvica ou durante as relações sexuais
  • Resultado positivo num teste de HPV ou citologia com alterações
  • Parceiro sexual com diagnóstico de HPV ou de condilomas
  • Sistema imunitário debilitado (VIH, medicação imunossupressora)

Contactos Úteis em Portugal

  • SNS 24: 808 24 24 24 — linha de triagem e aconselhamento de saúde, disponível 24 horas
  • Número europeu de emergência: 112 — para situações de emergência médica
  • Centro de saúde — para rastreio, vacinação e acompanhamento regular
  • Consulta de ginecologia ou urologia — para avaliação especializada

Importante: O rastreio regular do cancro do colo do útero é fundamental para a deteção precoce de lesões pré-cancerosas. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda o teste de HPV como método primário de rastreio cervical a partir dos 30 anos.


Diagnóstico

O diagnóstico do HPV pode ser realizado de diversas formas, dependendo da situação clínica e dos sintomas apresentados.

Exame Clínico

O médico pode identificar condilomas através da observação visual das lesões. Em caso de dúvida, pode aplicar uma solução (ácido acético) que torna as lesões mais visíveis.

Teste de HPV

O teste de HPV deteta a presença de ADN do vírus nas células do colo do útero. É particularmente útil para identificar tipos de alto risco e é recomendado como método primário de rastreio a partir dos 30 anos, com intervalos de 5 anos caso o resultado seja negativo.

Citologia Cervical (Papanicolau)

O exame de Papanicolau avalia as células do colo do útero em busca de alterações. Pode ser realizado isoladamente ou em conjunto com o teste de HPV (co-teste). Em Portugal, este exame está disponível nos centros de saúde e em consultas de ginecologia.

Colposcopia e Biópsia

Quando a citologia ou o teste de HPV revelam alterações, o médico pode solicitar uma colposcopia — um exame que permite visualizar o colo do útero com ampliação. Se forem detetadas áreas suspeitas, pode ser realizada uma biópsia para análise histológica.


Cuidados Gerais e Tratamento

Não existe um tratamento antiviral específico para eliminar o HPV do organismo. No entanto, as manifestações e complicações do vírus podem ser tratadas.

Tratamento de Verrugas Genitais

As verrugas genitais podem ser tratadas por diversas técnicas, que devem ser sempre orientadas pelo médico:

  • Tratamentos tópicos — cremes ou soluções aplicados nas lesões (ex.: podofilotoxina, imiquimod)
  • Crioterapia — destruição das verrugas por congelação com azoto líquido
  • Eletrocoagulação — remoção das verrugas por energia elétrica
  • Excisão cirúrgica — remoção das lesões por cirurgia
  • Laser — vaporização das lesões com laser de CO2

Nota: A remoção das verrugas não elimina o vírus do organismo. Pode ocorrer recorrência mesmo após tratamento bem-sucedido.

Tratamento de Lesões Pré-Cancerosas

As lesões pré-cancerosas do colo do útero (HSIL) podem ser tratadas através de:

  • Conização (LEEP/LLETZ) — remoção de uma porção do colo do útero
  • Crioterapia cervical — destruição das células anormais por congelação
  • Vigilância ativa — no caso de lesões de baixo grau que podem regredir espontaneamente

Estilo de Vida e Imunidade

Embora não exista um tratamento direto para o vírus, algumas medidas podem favorecer a resposta imunitária:

  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas e legumes
  • Praticar exercício físico regularmente
  • Evitar o tabagismo, que está associado a maior persistência do HPV
  • Gerir o stress e garantir descanso adequado
  • Manter o acompanhamento médico regular

Prevenção

A prevenção do HPV assenta em dois pilares fundamentais: a vacinação e o rastreio regular.

Vacinação Contra o HPV em Portugal

A vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção e faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) em Portugal:

  • Introdução: a vacina foi incluída no PNV em 2008, inicialmente para raparigas de 13 anos
  • Alargamento progressivo: a idade foi antecipada para os 10 anos e, em 2020, a vacina passou a incluir também os rapazes nascidos a partir de 2009
  • Novidade em 2026: a DGS anunciou o alargamento da vacinação a todos os jovens até aos 26 anos que ainda não tenham sido vacinados
  • Vacina nonavalente: a vacina disponível protege contra 9 tipos de HPV (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), com potencial para prevenir a grande maioria dos casos de cancro do colo do útero
  • Cobertura vacinal: Portugal mantém taxas de cobertura acima dos 90% nas raparigas e valores crescentes nos rapazes
  • Gratuita: a vacina é administrada gratuitamente nos centros de saúde do SNS

A vacina é mais eficaz quando administrada antes do início da atividade sexual, mas continua a conferir benefícios mesmo em pessoas que já tiveram contacto com alguns tipos de HPV.

Outras Medidas de Prevenção

  • Uso de preservativo — reduz o risco de transmissão, embora não confira proteção total
  • Rastreio regular — citologia e/ou teste de HPV conforme recomendação médica
  • Limitação do número de parceiros sexuais — reduz a exposição ao vírus
  • Deixar de fumar — o tabagismo aumenta o risco de persistência da infeção e de desenvolvimento de lesões
  • Comunicação com parceiros — discutir abertamente a saúde sexual com os parceiros

Perguntas Frequentes

O HPV tem cura?

Não existe cura para o vírus em si, mas o sistema imunitário elimina a maioria das infeções de forma espontânea em 1 a 2 anos. As lesões causadas pelo HPV podem ser tratadas pelo médico.

A vacina contra o HPV é segura?

Sim. A vacina contra o HPV é amplamente estudada e considerada segura pelas principais autoridades de saúde mundiais, incluindo a OMS e a DGS. Os efeitos secundários mais comuns são ligeiros e passageiros, como dor no local da injeção.

Posso ser vacinado/a contra o HPV se já tiver mais de 26 anos?

A vacinação pode ser benéfica mesmo após os 26 anos, embora a sua eficácia seja maior quando administrada antes do início da atividade sexual. Fale com o seu médico sobre a possibilidade de vacinação fora do âmbito do PNV.

O HPV pode afetar a fertilidade?

A infeção por HPV em si não afeta diretamente a fertilidade. No entanto, os tratamentos de lesões cervicais (como a conização) podem, em casos raros, influenciar a capacidade de manter uma gravidez. Discuta eventuais preocupações com o seu médico.

Quanto tempo o HPV demora a manifestar-se?

O período entre a infeção e o aparecimento de sintomas é muito variável — pode ir de semanas a meses para as verrugas genitais, ou de anos a décadas para lesões pré-cancerosas. Muitas pessoas nunca desenvolvem sintomas.

É possível ter HPV mais do que uma vez?

Sim. A infeção por um tipo de HPV não confere proteção contra outros tipos. É possível ser infetado por diferentes tipos de HPV ao longo da vida, razão pela qual a vacinação (que protege contra vários tipos) é tão importante.

O HPV só se transmite por via sexual?

A via sexual é a principal forma de transmissão, mas o HPV pode, em casos menos comuns, ser transmitido por contacto direto pele a pele na zona genital ou, excecionalmente, da mãe para o filho durante o parto.


Conclusão

O HPV é uma infeção extremamente comum que, na maioria dos casos, é eliminada espontaneamente pelo sistema imunitário. No entanto, quando persiste, pode causar verrugas genitais ou, nos casos mais graves, evoluir para lesões pré-cancerosas e cancro.

A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no Programa Nacional de Vacinação em Portugal, é a medida preventiva mais eficaz. Combinada com o rastreio regular e hábitos de vida saudáveis, permite reduzir significativamente os riscos associados a este vírus.

Se suspeita de infeção por HPV ou tem dúvidas sobre vacinação e rastreio, consulte o seu médico de família ou contacte o SNS 24 (808 24 24 24).

Aviso Legal: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui aconselhamento médico profissional. Nunca se autodiagnostique nem inicie tratamentos sem orientação médica. Em caso de dúvida, consulte sempre um profissional de saúde.

Fontes e referências:

  • Direção-Geral da Saúde (DGS) — Programa Nacional de Vacinação
  • Serviço Nacional de Saúde (SNS 24) — Vírus do Papiloma Humano
  • Organização Mundial de Saúde (OMS) — HPV and Cervical Cancer
  • Liga Portuguesa Contra o Cancro
  • Sociedade Portuguesa de Ginecologia

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