Abdomen e Digestivo

Diverticulite: Sintomas, Causas e Tratamento

Equipa Sintomas.pt 10 de abril de 2026 #diverticulite #intestino #cólon
Ilustração do sistema digestivo com inflamação dos divertículos no cólon

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

Aviso médico: Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui a consulta médica. Em caso de dor abdominal intensa, febre ou outros sintomas preocupantes, recorra ao seu médico ou ao SNS 24 (808 24 24 24). Em emergências, ligue o 112.

A diverticulite é uma das causas mais frequentes de dor abdominal aguda nos adultos em Portugal, especialmente na população com mais de 50 anos. Caracteriza-se pela inflamação ou infeção de pequenas saliências (divertículos) que se formam nas paredes do cólon — uma condição conhecida como diverticulose. Quando esses divertículos ficam inflamados ou infetados, surge a diverticulite.

De acordo com a informação disponibilizada pelo SNS e por centros hospitalares portugueses como a CUF e a Luz Saúde, a doença diverticular do cólon afeta uma proporção crescente da população portuguesa, associada ao envelhecimento demográfico e aos hábitos alimentares modernos com baixo teor em fibras.

Neste artigo, explicamos os sintomas da diverticulite, as suas causas, como é diagnosticada, quando é urgente e como pode ser prevenida.


O Que É a Diverticulite?

Para compreender a diverticulite, é importante primeiro entender o que são divertículos. Divertículos são pequenas bolsas ou sacos que se formam nas paredes do intestino grosso (cólon), especialmente no cólon sigmoide, a parte final do cólon antes do reto.

A diverticulose refere-se simplesmente à presença dessas bolsas — uma condição muito comum e geralmente assintomática. A maioria das pessoas com diverticulose nunca sabe que as tem.

A diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos ficam inflamados ou infetados. Isto pode acontecer quando matéria fecal ou bactérias ficam presas no interior das bolsas, causando irritação, inflamação e, em alguns casos, infeção.

Diverticulite Simples vs. Complicada

A diverticulite pode ser classificada em dois tipos principais:

  • Diverticulite simples (não complicada): Inflamação localizada sem perfuração, abcesso ou outras complicações. Representa cerca de 75% dos casos e é geralmente tratada em ambulatório.
  • Diverticulite complicada: Envolve formação de abcesso, perfuração do cólon, fístula, obstrução intestinal ou peritonite. Requer hospitalização e, muitas vezes, intervenção cirúrgica.

Como Reconhecer a Diverticulite? Sintomas Principais

Os sintomas da diverticulite variam consoante a gravidade do episódio, mas existem sinais característicos que permitem suspeitar desta condição.

Dor Abdominal: O Sintoma Mais Comum

A dor no quadrante inferior esquerdo do abdómen é o sintoma mais característico da diverticulite. Esta dor é geralmente:

  • Constante e persistente (ao contrário das cólicas que passam e voltam)
  • De intensidade moderada a severa
  • Que piora ao toque ou à pressão na zona afetada
  • Pode irradiar para as costas ou para a virilha

Em alguns doentes — nomeadamente os de origem asiática — a dor pode localizar-se no lado direito do abdómen, pois os divertículos podem surgir em localizações diferentes.

Febre e Calafrios

A febre é um sinal importante que diferencia a diverticulite de outras condições intestinais funcionais. A presença de febre acima de 38°C acompanhada de dor abdominal deve ser sempre avaliada por um médico.

Os calafrios e a sensação de mal-estar geral são também frequentes durante um episódio agudo.

Alterações dos Hábitos Intestinais

A diverticulite pode provocar:

  • Obstipação (prisão de ventre) — mais frequente
  • Diarreia — em alguns casos
  • Náuseas e vómitos — sintomas que também podem estar presentes numa gastroenterite
  • Flatulência excessiva e distensão abdominal
  • Sensação de que o intestino não esvaziou completamente

Sangue nas Fezes

Embora menos comum na diverticulite aguda, pode ocorrer sangramento retal em casos em que os vasos sanguíneos próximos dos divertículos se rompem. Este sintoma pode surgir também na diverticulose sem inflamação ativa. Qualquer sangramento retal deve ser avaliado por um profissional de saúde.

Sintomas em Idosos: Apresentação Atípica

Nos idosos, os sintomas da diverticulite podem ser menos evidentes ou atípicos, o que dificulta o diagnóstico precoce. É possível que:

  • A febre seja baixa ou ausente
  • A dor seja menos intensa do que o esperado
  • A confusão mental ou o cansaço extremo sejam os primeiros sinais
  • Os exames de sangue mostrem alterações mínimas

Esta apresentação atípica nos idosos é particularmente importante, pois o risco de complicações graves é maior neste grupo etário.


Causas e Fatores de Risco

A causa exata da formação de divertículos não está completamente esclarecida, mas os especialistas acreditam que a pressão elevada no interior do cólon desempenha um papel central. Quando as paredes intestinais são sujeitas a pressão aumentada — por exemplo, durante o esforço ao defecar —, pode ocorrer a formação de pequenas hérnias ou sacos.

Fatores que Aumentam o Risco de Diverticulite

Fator de RiscoExplicação
Dieta pobre em fibrasFezes duras aumentam a pressão no cólon
Idade avançadaA parede intestinal enfraquece com os anos
SedentarismoA falta de exercício associa-se ao aumento do risco
ObesidadeAumenta a pressão abdominal
TabagismoPrejudica a circulação e a integridade da parede intestinal
Anti-inflamatórios (AINE)O uso regular pode irritar a mucosa intestinal
OpióidesPodem reduzir a motilidade intestinal
Histórico familiarHá uma componente genética

Diverticulite em Jovens

Embora a diverticulite seja classicamente associada a pessoas com mais de 50 anos, a sua incidência em adultos jovens (abaixo dos 40 anos) tem vindo a aumentar. Neste grupo, a condição tende a ser mais agressiva e com maior risco de recorrência, possivelmente por questões genéticas e pelo impacto da obesidade e de hábitos alimentares inadequados desde cedo.


Diverticulite vs. Outras Doenças: Como Distinguir?

A diverticulite partilha sintomas com várias outras condições digestivas, o que pode dificultar o diagnóstico clínico sem recurso a exames.

Diverticulite vs. Síndrome do Intestino Irritável (SII)

CaracterísticaDiverticuliteSíndrome do Intestino Irritável
FebrePresente (≥38°C)Ausente
DorConstante, localizada no QIEVariável, alivia após defecar
Alterações no sanguePCR e leucócitos elevadosAnálises normais
Exame de imagemTC mostra inflamaçãoTC normal
UrgênciaAlta — pode ser graveBaixa — condição funcional

A principal diferença é que a diverticulite é uma condição estrutural com inflamação real, enquanto a SII é funcional, sem alterações orgânicas detetáveis.

Diverticulite vs. Apendicite

A apendicite causa dor no quadrante inferior direito, enquanto a diverticulite tende a ser no lado esquerdo. No entanto, existem exceções e o diagnóstico definitivo requer exames complementares.


Como é Diagnosticada a Diverticulite?

O diagnóstico é estabelecido com base na história clínica, exame físico e exames complementares.

Exames de Diagnóstico

  • Tomografia Computorizada (TC) abdominal: É o exame de eleição — permite visualizar a inflamação dos divertículos, identificar abcessos e avaliar complicações.
  • Análises ao sangue: Hemograma (leucocitose), proteína C-reativa (PCR) elevada e outros marcadores de infeção.
  • Ecografia abdominal: Útil como triagem inicial, especialmente em grávidas ou quando se quer evitar radiação.
  • Colonoscopia: Não é realizada durante a fase aguda (risco de perfuração), mas pode ser indicada após a recuperação para excluir outras patologias como cancro do cólon.

Tratamento da Diverticulite

O tratamento depende da gravidade do episódio e da presença ou ausência de complicações.

Tratamento em Ambulatório (Casos Ligeiros)

Para os casos ligeiros sem complicações, o tratamento pode ser feito em casa, com:

  • Antibióticos orais (geralmente durante 7 a 10 dias)
  • Dieta líquida ou semi-líquida no início, evoluindo gradualmente para sólidos à medida que os sintomas melhoram
  • Repouso
  • Analgésicos para controlo da dor (evitar AINE, que podem agravar o quadro)

Tratamento Hospitalar (Casos Graves)

Os casos mais graves, com febre alta, dor intensa ou complicações, requerem:

  • Hospitalização
  • Antibióticos intravenosos
  • Restrição alimentar total (dieta zero por via oral)
  • Drenagem cirúrgica de abcessos, se necessário
  • Cirurgia em casos de perfuração, peritonite ou obstrução intestinal

Quando é Necessária Cirurgia?

A cirurgia pode ser indicada em situações como:

  • Perfuração do cólon com peritonite
  • Abcesso que não responde ao tratamento médico
  • Obstrução intestinal
  • Fístula (ligação anormal entre o cólon e outros órgãos, como a bexiga)
  • Episódios recorrentes frequentes com impacto significativo na qualidade de vida

Quando Consultar um Médico

Perante os sintomas que possam sugerir diverticulite, é importante agir rapidamente. Consulte o seu médico se tiver:

  • Dor abdominal persistente no lado esquerdo do abdómen
  • Febre associada a dor abdominal
  • Alterações súbitas nos hábitos intestinais
  • Sangramento retal
  • Náuseas ou vómitos que persistem mais de 24 horas

Sinais de Alarme — Vá ao Urgências ou Ligue o 112

Os seguintes sinais indicam uma situação potencialmente grave que requer avaliação urgente:

  • Dor abdominal muito intensa e difusa (pode indicar peritonite)
  • Febre alta (acima de 39°C) com mal-estar geral intenso
  • Rigidez abdominal (“barriga de madeira”)
  • Sangramento retal abundante
  • Incapacidade de tolerar qualquer líquido por via oral
  • Confusão mental ou tontura intensa

Em caso de dúvida, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) para orientação. Em emergência, ligue o 112.


Prevenção da Diverticulite

Embora não seja possível prevenir completamente a formação de divertículos ou a ocorrência de episódios, é possível reduzir significativamente o risco com mudanças no estilo de vida.

Estratégias de Prevenção

  • Dieta rica em fibras: Consuma mais frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais. A DGS recomenda uma ingestão diária de pelo menos 25-30 gramas de fibra.
  • Hidratação adequada: Beba pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia para manter a fluidez das fezes.
  • Exercício físico regular: A atividade física regular melhora a motilidade intestinal e reduz o risco.
  • Evitar o tabaco: O tabagismo está associado a um maior risco de complicações.
  • Evitar o uso prolongado de AINE: Sempre que possível, evite o uso crónico de anti-inflamatórios não esteroides.
  • Manter um peso saudável: A obesidade é um fator de risco independente para a doença diverticular.

Diverticulite Recorrente: O Que Esperar?

Após um primeiro episódio de diverticulite, existe um risco de recorrência. Estudos indicam que aproximadamente 20-35% dos doentes podem ter um segundo episódio nos anos seguintes. Os fatores que aumentam o risco de recorrência incluem:

  • Idade jovem no primeiro episódio
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Dieta pobre em fibras
  • Uso continuado de AINE

A colonoscopia após a recuperação de um episódio agudo é frequentemente recomendada, especialmente em pessoas com mais de 50 anos, para excluir lesões como pólipos ou cancro colorretal.


Perguntas Frequentes sobre Diverticulite

Quanto tempo dura um episódio de diverticulite?

Um episódio ligeiro de diverticulite tratado com antibióticos costuma melhorar em 7 a 10 dias. Casos mais graves ou com complicações podem requerer hospitalização e recuperação mais prolongada, de 2 a 4 semanas.

Qual a diferença entre diverticulite e síndrome do intestino irritável?

Embora ambas causem dor abdominal, a diverticulite envolve inflamação ou infeção de divertículos e geralmente provoca febre e alterações nos exames de sangue. A síndrome do intestino irritável é funcional, sem alterações estruturais detetáveis, e não costuma causar febre.

A diverticulite pode ser grave?

Sim. Em casos não tratados ou complicados, pode evoluir para abcesso, perfuração do cólon, peritonite ou fístulas, situações que requerem cirurgia urgente e hospitalização.

A diverticulite afeta mais os idosos?

Sim. A doença diverticular é mais comum com o avançar da idade — estima-se que afete mais de 50% das pessoas com mais de 60 anos e mais de 65% das pessoas com mais de 80 anos. No entanto, a diverticulite também pode ocorrer em adultos jovens.

Quais os alimentos a evitar com diverticulite?

Durante um episódio agudo, recomenda-se uma dieta líquida ou com baixo teor em fibras para dar descanso ao intestino. Após a recuperação, aconselha-se uma dieta rica em fibras. Historicamente evitavam-se sementes e frutos secos, mas as evidências atuais não confirmam esta restrição.

A diverticulite tem cura?

A diverticulose (presença dos divertículos) é permanente e não tem cura. A diverticulite (inflamação aguda) pode ser tratada com sucesso em episódios individuais. Contudo, há risco de recorrência, pelo que mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir novos episódios.

Que exames são feitos para diagnosticar diverticulite?

O diagnóstico é geralmente confirmado por tomografia computorizada (TC) abdominal, que é o exame de eleição. Podem também ser pedidas análises ao sangue para avaliar sinais de infeção (leucocitose, PCR elevada) e, em alguns casos, ecografia abdominal.


Conclusão

A diverticulite é uma condição comum em Portugal, especialmente na população adulta com mais de 50 anos, mas com prevalência crescente também em jovens adultos. O reconhecimento precoce dos sintomas — particularmente a dor no lado esquerdo do abdómen associada a febre — é fundamental para um tratamento rápido e eficaz.

A maioria dos casos ligeiros responde bem ao tratamento com antibióticos e modificações alimentares. No entanto, os casos graves ou complicados podem requerer hospitalização e cirurgia, pelo que não se deve subestimar esta condição.

A adoção de uma dieta rica em fibras, a prática regular de exercício físico e a manutenção de um peso saudável são as estratégias mais eficazes para prevenir a formação de divertículos e reduzir o risco de inflamação.

Perante qualquer sintoma sugestivo de diverticulite, não hesite em consultar o seu médico de família ou recorrer ao SNS 24 (808 24 24 24). Em caso de emergência, ligue 112.


Este artigo é de natureza informativa e não substitui a consulta médica profissional. Para qualquer preocupação de saúde, consulte sempre um médico ou profissional de saúde qualificado. Referências: SNS — Serviço Nacional de Saúde, DGS — Direção-Geral da Saúde, OMS — Organização Mundial da Saúde.

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