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Deficiência de Vitamina D: Sintomas e Causas

Equipa Sintomas.pt 26 de março de 2026 #vitamina D #défice vitamina D #fadiga
Ilustração dos sintomas de deficiência de vitamina D

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

A deficiência de vitamina D é, surpreendentemente, um dos problemas de saúde mais frequentes em Portugal. Num país com mais de 2800 horas anuais de sol, estudos revelam que entre 70 e 78% da população apresenta níveis insuficientes desta vitamina — com valores a disparar para os 95% nos meses de inverno. Muitos portugueses vivem com este défice sem o saber, atribuindo os sintomas ao cansaço do dia a dia ou ao stress.

Neste guia, explicamos os sinais que podem indicar falta de vitamina D, quais as causas mais comuns, quem está em maior risco e quando deve pedir ao seu médico que peça análises. A informação aqui apresentada baseia-se em orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e de publicações médicas reconhecidas.

Aviso médico: Este conteúdo é meramente informativo e educativo. Não substitui uma consulta médica, não estabelece diagnósticos nem prescreve tratamentos. Se suspeita ter défice de vitamina D, consulte o seu médico assistente. Em caso de emergência, ligue 112.


O Que É a Vitamina D e Para Que Serve

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel que o organismo produz principalmente através da exposição da pele à radiação ultravioleta solar (UV-B). Em menor quantidade, é obtida através da alimentação — especialmente peixes gordos, ovos e laticínios enriquecidos — e da suplementação.

Ao contrário do que muitos pensam, a vitamina D funciona mais como uma hormona do que como uma vitamina tradicional. Após ser produzida na pele ou ingerida, é ativada no fígado e nos rins, passando a desempenhar funções essenciais em praticamente todos os sistemas do organismo.

Principais funções da vitamina D no organismo

  • Saúde óssea: Regula a absorção de cálcio e fósforo no intestino, essencial para a mineralização dos ossos e dentes
  • Força muscular: Contribui para o funcionamento normal dos músculos
  • Sistema imunitário: Modula a resposta imunológica, tanto inata como adaptativa
  • Saúde cardiovascular: Pode influenciar a pressão arterial e o funcionamento do músculo cardíaco
  • Saúde mental: Participa na regulação de neurotransmissores ligados ao humor, como a serotonina
  • Regulação celular: Envolvida no crescimento e diferenciação celular, com possível papel na prevenção de certas doenças

Como se mede a vitamina D

O doseamento é feito através de análises ao sangue, medindo a concentração de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D]. Os valores de referência mais utilizados são:

ClassificaçãoValor de 25(OH)D
Suficiente (ótimo)≥ 30 ng/mL (75 nmol/L)
Insuficiente20–29 ng/mL (50–72 nmol/L)
Deficiente< 20 ng/mL (50 nmol/L)
Deficiência grave< 10 ng/mL (25 nmol/L)

Como Reconhecer a Deficiência de Vitamina D?

Um dos grandes desafios deste défice é que os sintomas são frequentemente vagos e inespecíficos — o que leva muitos a não os associar a uma carência nutricional. Em muitos casos, a deficiência é assintomática e só detetada em análises de rotina.

Fadiga e cansaço inexplicável

A fadiga persistente, mesmo após descanso adequado, é um dos sintomas mais comuns relatados por pessoas com deficiência de vitamina D. A vitamina D está envolvida na produção de energia a nível celular (mitocondrial), e o seu défice pode traduzir-se numa sensação de exaustão que não melhora com o sono.

Dores nos ossos e articulações

A vitamina D é crucial para a absorção de cálcio. Sem ela, o organismo retira cálcio dos ossos para manter os níveis sanguíneos normais, levando a:

  • Dor óssea difusa, especialmente na zona lombar, anca, joelhos e pernas
  • Sensação de “ossos a doer”
  • Maior suscetibilidade a fraturas de stress

Em casos de deficiência grave e prolongada, pode desenvolver-se osteomalacia nos adultos (amolecimento dos ossos) ou raquitismo nas crianças. A longo prazo, o défice crónico pode contribuir para o desenvolvimento de osteoporose.

Fraqueza e dores musculares

A fraqueza muscular e as dores musculares (mialgia) são manifestações frequentes do défice de vitamina D. Os recetores de vitamina D existem no tecido muscular e a sua ausência compromete a contração muscular normal. Sintomas comuns incluem:

  • Cãibras musculares, especialmente à noite
  • Dificuldade em subir escadas ou levantar objetos
  • Dores musculares sem causa aparente — sintomas que podem ser confundidos com os da fibromialgia
  • Sensação de “pernas pesadas”

Alterações de humor e depressão

Estudos sugerem uma associação entre défice de vitamina D e sintomas depressivos. A vitamina D influencia a síntese de serotonina no cérebro e a sua falta pode contribuir para:

  • Tristeza persistente ou “baixo de forma”
  • Irritabilidade
  • Dificuldade de concentração ou “nevoeiro mental” (brain fog)
  • Ansiedade

Esta relação é particularmente relevante na depressão sazonal, frequentemente associada aos meses de inverno, período em que os níveis de vitamina D são mais baixos.

Infeções frequentes

A vitamina D desempenha um papel central na regulação do sistema imunitário. Pessoas com défice tendem a apresentar:

  • Infeções respiratórias mais frequentes (constipações, gripes, bronquites)
  • Maior dificuldade em recuperar de infeções
  • Recorrência de infeções urinárias ou cutâneas

A relação entre vitamina D e imunidade tornou-se especialmente estudada após a pandemia de COVID-19, tendo vários estudos identificado uma associação entre défice de vitamina D e formas mais graves de infeções respiratórias.

Queda de cabelo

Embora menos estudada, a queda de cabelo pode estar associada ao défice de vitamina D. Os folículos capilares possuem recetores para esta vitamina, e a sua falta pode interferir no ciclo normal de crescimento do cabelo.

Sintomas adicionais menos conhecidos

  • Cicatrização lenta de feridas
  • Sudorese excessiva, especialmente na cabeça (sinal clássico nas crianças)
  • Pressão arterial elevada (possível associação)
  • Perturbações do sono — dificuldade em adormecer ou sono não reparador

Causas do Défice de Vitamina D em Portugal

Paradoxalmente, Portugal é um dos países europeus com maior prevalência de défice de vitamina D, apesar da abundante exposição solar. Várias razões explicam este aparente paradoxo.

Exposição solar insuficiente na prática

Apesar do sol, muitos portugueses não aproveitam a exposição solar de forma eficaz para sintetizar vitamina D:

  • Trabalho em espaços fechados: A maioria das pessoas passa o dia em escritórios, fábricas ou lojas, sem exposição solar significativa
  • Protetor solar: Embora essencial para prevenir o cancro da pele, o protetor solar bloqueia também a síntese de vitamina D
  • Roupa coberta: Hábitos de vestuário que cobrem a maior parte do corpo
  • Poluição atmosférica: Nas grandes cidades, pode reduzir a intensidade da radiação UV-B
  • Ângulo solar no inverno: Entre outubro e março, nas regiões mais a norte de Portugal (acima dos 35° de latitude), o ângulo solar pode ser insuficiente para uma síntese eficaz

Alimentação pobre em vitamina D

A vitamina D está presente em poucos alimentos e em quantidades geralmente insuficientes:

AlimentoVitamina D (por 100g)
Óleo de fígado de bacalhau250 µg (10.000 UI)
Salmão fresco (selvagem)10-15 µg (400-600 UI)
Sardinha em conserva4-5 µg (160-200 UI)
Ovo (gema)1-2 µg (40-80 UI)
Leite enriquecido1-2 µg (40-80 UI)
Cogumelos (expostos ao sol)1-4 µg (40-160 UI)

A dieta mediterrânea, ainda que saudável, não garante por si só aporte suficiente de vitamina D.

Fatores de risco individuais

Alguns grupos têm maior probabilidade de desenvolver défice:

  • Idosos: A pele perde eficiência na síntese de vitamina D com a idade, e a mobilidade reduzida limita a exposição solar
  • Pessoas de pele escura: A melanina reduz a eficiência da síntese cutânea de vitamina D
  • Obesidade: A vitamina D é lipossolúvel e fica retida no tecido adiposo, ficando menos disponível na circulação
  • Doenças de malabsorção: Doença celíaca, doença de Crohn, cirurgia bariátrica ou outras condições que afetam a absorção intestinal
  • Doenças renais ou hepáticas: Comprometem a ativação da vitamina D
  • Grávidas e a amamentar: As necessidades aumentam durante este período
  • Crianças amamentadas exclusivamente: O leite materno é pobre em vitamina D

Deficiência de Vitamina D em Grupos Específicos

Deficiência em idosos

Com o envelhecimento, ocorrem várias alterações que aumentam o risco de défice:

  • A síntese cutânea de vitamina D pode ser até 4 vezes menos eficiente nos idosos
  • Menor exposição solar por mobilidade reduzida ou institucionalização
  • Menor absorção intestinal
  • Alimentação por vezes inadequada

Nos idosos, o défice de vitamina D está particularmente associado a risco aumentado de quedas e fraturas, sarcopenia (perda de massa muscular) e declínio cognitivo. A monitorização e suplementação em idosos é amplamente recomendada pelas sociedades científicas portuguesas.

Deficiência de vitamina D na gravidez

Durante a gravidez, as necessidades de vitamina D aumentam para suportar o desenvolvimento ósseo do feto e a saúde materna. O défice durante a gravidez pode estar associado a:

  • Pré-eclâmpsia
  • Diabetes gestacional
  • Baixo peso ao nascer
  • Deficiência de vitamina D no recém-nascido e lactente

A DGS recomenda a suplementação com vitamina D durante a gravidez e lactação, sob orientação médica.


Quando Consultar um Médico

Deve consultar o seu médico de família ou médico assistente se apresentar alguns dos seguintes sinais:

  • Fadiga persistente que não melhora com repouso adequado
  • Dores ósseas ou musculares frequentes ou de longa duração
  • Infeções respiratórias repetidas (mais de 3-4 por ano)
  • Sintomas depressivos associados, especialmente nos meses de inverno
  • Queda de cabelo inexplicável
  • Pertença a grupo de risco (idosos, grávidas, obesidade, doença intestinal crónica)

O médico poderá solicitar análises ao sangue para dosear a vitamina D (25(OH)D) e, se confirmada a deficiência, indicar o tratamento adequado — geralmente suplementação oral com doses terapêuticas.

Contactos de saúde úteis

  • SNS 24: 808 24 24 24 (linha de aconselhamento de saúde, 24h/dia)
  • Médico de família: Primeira linha para análises e acompanhamento
  • Emergência: 112 (apenas em caso de urgência)

Diagnóstico e Tratamento

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é simples e baseia-se num exame de sangue: doseamento de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D)]. Este exame pode ser pedido pelo médico de família numa consulta de rotina ou de seguimento de doença crónica.

Em alguns casos, o médico pode pedir também:

  • Cálcio, fósforo e magnésio séricos
  • Paratormona (PTH) — elevada em défice prolongado
  • Fosfatase alcalina — pode estar elevada em osteomalacia
  • Densitometria óssea (DEXA) se houver suspeita de osteoporose

Abordagem terapêutica

O tratamento da deficiência de vitamina D inclui:

Suplementação oral — a forma mais utilizada. A dose e duração dependem da gravidade do défice e são definidas pelo médico. Habitualmente são utilizadas formulações de colecalciferol (vitamina D3), mais eficaz que o ergocalciferol (vitamina D2) na elevação dos níveis séricos.

Exposição solar controlada — complemento importante. Geralmente, 15-30 minutos de exposição solar diária nos braços e pernas (sem protetor solar, fora das horas de maior intensidade UV) pode contribuir para a síntese endógena, embora a quantidade produzida varie muito.

Ajustes alimentares — aumento do consumo de alimentos ricos em vitamina D (peixe gordo, ovos, alimentos enriquecidos).

Nota importante: Não inicie suplementação em doses elevadas sem orientação médica. O excesso de vitamina D (toxicidade) pode causar hipercalcémia, com sintomas como náuseas, vómitos, fraqueza, poliúria e, em casos graves, lesão renal.


Prevenção do Défice de Vitamina D

Para manter níveis adequados de vitamina D, são recomendadas as seguintes medidas preventivas:

Exposição solar segura

  • 15-30 minutos diários de exposição ao sol, de preferência nos braços e pernas, nos períodos de menor intensidade UV (antes das 11h ou após as 17h no verão)
  • Nos meses de inverno em Portugal continental, a exposição ao sol torna-se menos eficaz para a síntese de vitamina D, especialmente no norte do país

Alimentação variada

  • Incluir regularmente peixe gordo na dieta (salmão, sardinhas, cavala, atum)
  • Consumir ovos e produtos lácteos
  • Explorar alimentos enriquecidos com vitamina D disponíveis no mercado português

Suplementação preventiva para grupos de risco

A DGS e a SPEDM recomendam suplementação preventiva em:

  • Lactentes amamentados exclusivamente (geralmente 400 UI/dia)
  • Idosos (400-800 UI/dia ou conforme avaliação médica)
  • Grávidas e mulheres a amamentar (600-2000 UI/dia conforme indicação)
  • Pessoas com factores de risco para défice

Perguntas Frequentes sobre Deficiência de Vitamina D

O meu médico deve pedir este exame de rotina? O doseamento de vitamina D não está incluído nas análises de rotina recomendadas para toda a população, mas pode ser pedido em caso de sintomas sugestivos ou pertença a grupo de risco. Informe o seu médico dos seus sintomas.

Vitamina D e vitamina K2 devem ser tomadas juntas? Existe evidência crescente de que a vitamina K2 ajuda a dirigir o cálcio absorvido (graças à vitamina D) para os ossos, em vez de para as artérias. No entanto, não existe ainda consenso para uma recomendação universal. Discuta com o seu médico o que é mais adequado para si.

Posso tomar vitamina D sem análises? Doses de manutenção baixas (400-1000 UI/dia para adultos saudáveis) são geralmente seguras sem prescrição médica. Para doses terapêuticas (4000 UI/dia ou mais), é necessária orientação médica e monitorização analítica.


Informação atualizada com base nas recomendações da DGS, SPEDM e SNS. Este artigo tem carácter exclusivamente informativo e não substitui a consulta médica.

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