Alergias e Imunidade

Candida Auris: Sintomas e Riscos

Equipa Sintomas.pt 15 de março de 2026 #candida auris #fungo multirresistente #infeção fúngica
Ilustração informativa sobre os sintomas e riscos da infeção por Candida auris

Este conteudo e informativo e nao substitui uma consulta medica. Em caso de emergencia, ligue 112.

A Candida auris é um fungo que tem gerado crescente preocupação em Portugal e no mundo. Identificada pela primeira vez em 2009 no Japão, esta levedura distingue-se pela sua resistência a múltiplos medicamentos antifúngicos e pela capacidade de se propagar rapidamente em ambientes hospitalares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a Candida auris como um patógeno fúngico de prioridade crítica, e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) confirmou a presença deste fungo em hospitais portugueses.

Neste guia, explicamos o que é a Candida auris, quais os sintomas que pode provocar, os fatores de risco, como é feito o diagnóstico, as opções de tratamento e como se proteger. Toda a informação segue as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), do SNS 24 e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Aviso importante: Este conteúdo é meramente informativo e não substitui uma consulta ou avaliação médica. Se suspeitar de uma infeção fúngica grave, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou, em caso de emergência, ligue 112. Nunca se automedique nem interrompa tratamentos sem orientação médica.


O Que É a Candida Auris

A Candida auris é uma espécie de levedura pertencente ao género Candida, um grupo de fungos que inclui outras espécies mais comuns como a Candida albicans. No entanto, a Candida auris apresenta características que a tornam particularmente preocupante para a saúde pública.

Origem e Disseminação Global

A Candida auris foi identificada pela primeira vez em 2009, isolada a partir do canal auditivo de uma doente no Japão — daí o nome “auris”, do latim para “ouvido”. Desde então, foram reportados casos em mais de 50 países em todos os continentes.

Em Portugal, o Laboratório Nacional de Referência de Infeções Parasitárias e Fúngicas do INSA identificou o primeiro caso em 2022. Desde então, foram confirmados casos em hospitais públicos das regiões de saúde do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, entre 2022 e 2025, segundo informação oficial do INSA.

Porque É Considerada uma Ameaça

A Candida auris distingue-se de outros fungos por vários motivos que a tornam uma ameaça significativa:

CaracterísticaDescrição
MultirresistênciaPode ser resistente a uma ou mais classes de antifúngicos, dificultando o tratamento
Sobrevivência ambientalPersiste em superfícies hospitalares durante semanas, mesmo após limpeza convencional
Dificuldade de identificaçãoOs métodos laboratoriais tradicionais podem confundi-la com outras espécies de Candida
Transmissão hospitalarPropaga-se facilmente entre doentes e através de equipamentos médicos
Mortalidade elevadaAs infeções invasivas podem apresentar taxas de mortalidade entre 30% e 60%

A OMS incluiu a Candida auris na lista de patógenos fúngicos de prioridade crítica, e o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos Estados Unidos classificou-a como ameaça urgente de saúde pública.


Sintomas Principais da Candida Auris

Os sintomas de uma infeção por Candida auris podem variar significativamente consoante o local afetado e a gravidade da situação. É importante notar que muitas pessoas podem ser portadoras do fungo na pele sem apresentar quaisquer sintomas — uma condição conhecida como colonização.

Sintomas de Infeção Invasiva (Candidemia)

Quando a Candida auris entra na corrente sanguínea, pode provocar uma infeção invasiva denominada candidemia. Os sintomas podem incluir:

  • Febre persistente que não responde a antibióticos convencionais
  • Calafrios recorrentes e intensos
  • Fadiga extrema e mal-estar generalizado
  • Hipotensão (queda da tensão arterial)
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Dores musculares e articulares difusas

Sintomas Consoante o Local da Infeção

Os sinais e sintomas podem variar dependendo do órgão ou tecido afetado:

  • Infeção da corrente sanguínea: febre, calafrios, hipotensão, possível choque séptico
  • Infeção de feridas: vermelhidão, edema, secreção e dificuldade de cicatrização
  • Infeção auricular (otite): dor de ouvido, secreção, diminuição da audição
  • Infeção do trato urinário: dor ao urinar, frequência urinária aumentada, urina turva
  • Infeção abdominal: dor abdominal, febre, distensão

Colonização Sem Sintomas

Um aspeto particularmente relevante da Candida auris é que muitas pessoas podem ser portadoras do fungo na pele ou noutras áreas do corpo sem desenvolver qualquer sintoma. Estas pessoas colonizadas podem, no entanto, transmitir o fungo a outros doentes mais vulneráveis. A colonização pode persistir durante meses.


Causas Possíveis e Fatores de Risco

A Candida auris não afeta todas as pessoas de igual forma. Existem fatores específicos que podem aumentar significativamente a probabilidade de desenvolver uma infeção.

Fatores de Risco Principais

Os grupos com maior risco de desenvolver uma infeção invasiva por Candida auris incluem:

  • Doentes em cuidados intensivos (UCI): o internamento prolongado em UCI é um dos principais fatores de risco
  • Portadores de dispositivos médicos invasivos: cateteres venosos centrais, cateteres urinários, tubos de ventilação mecânica
  • Imunodeprimidos: doentes oncológicos, transplantados, pessoas com VIH/SIDA ou em terapia imunossupressora
  • Doentes crónicos: diabetes mellitus, insuficiência renal, doença pulmonar crónica, hipertensão
  • Uso prolongado de antimicrobianos: antibióticos de largo espetro ou antifúngicos anteriores
  • Cirurgias recentes: especialmente cirurgias abdominais ou cardíacas
  • Nutrição parentérica: alimentação por via intravenosa
  • Idosos: pessoas com mais de 65 anos com comorbilidades

Como Ocorre a Transmissão

A transmissão da Candida auris ocorre predominantemente em ambiente hospitalar, através de:

Via de TransmissãoMecanismo
Contacto diretoPessoa a pessoa, incluindo através das mãos de profissionais de saúde
Superfícies contaminadasO fungo pode sobreviver em camas, mesas, maçanetas e equipamentos médicos durante semanas
Dispositivos médicosCateteres, termómetros, oxímetros e outros equipamentos partilhados
Roupa e materiaisLençóis, batas e outros têxteis hospitalares contaminados

É importante salientar que, para a população geral saudável, o risco de contrair uma infeção por Candida auris é considerado muito baixo. A esmagadora maioria dos casos ocorre em contexto hospitalar ou em unidades de cuidados continuados.


Sintomas Associados e Complicações

A infeção por Candida auris pode desencadear complicações graves, especialmente quando não é diagnosticada e tratada atempadamente.

Complicações da Infeção Invasiva

As complicações mais preocupantes podem incluir:

  • Sépsis e choque séptico: quando a infeção da corrente sanguínea provoca uma resposta inflamatória generalizada
  • Falência multiorgânica: comprometimento de rins, fígado, pulmões ou coração
  • Abcessos metastáticos: formação de focos de infeção noutros órgãos
  • Endocardite fúngica: infeção das válvulas cardíacas, embora rara
  • Meningite fúngica: em casos excecionais, envolvimento do sistema nervoso central

Impacto da Resistência aos Antifúngicos

Um dos maiores desafios no tratamento da Candida auris é a sua resistência a medicamentos antifúngicos. A maioria das estirpes apresenta resistência ao fluconazol, e estirpes resistentes a múltiplas classes de antifúngicos têm sido detetadas com frequência crescente em todo o mundo. Em casos raros, podem surgir estirpes pandrug-resistentes, ou seja, resistentes a todas as classes de antifúngicos disponíveis.

Esta resistência pode complicar significativamente o tratamento e contribuir para a elevada taxa de mortalidade associada a infeções invasivas, que pode situar-se entre 30% e 60%, segundo dados publicados na literatura científica internacional.


Quando Consultar um Médico

A Candida auris requer atenção médica especializada. É fundamental procurar assistência médica nas seguintes situações:

Sinais de Alerta que Exigem Ação Imediata

  • Febre persistente que não cede com antibióticos, especialmente durante ou após um internamento hospitalar
  • Calafrios intensos acompanhados de queda da tensão arterial
  • Confusão mental ou alteração do estado de consciência
  • Dificuldade respiratória de início súbito
  • Feridas que não cicatrizam e apresentam sinais de agravamento
  • Deterioração rápida do estado geral de saúde durante um internamento

O Que Fazer

  1. Contacte o SNS 24 pelo número 808 24 24 24 para orientação clínica, especialmente se tiver estado recentemente internado e apresentar febre inexplicada
  2. Dirija-se ao serviço de urgência mais próximo se apresentar febre alta, calafrios, hipotensão ou confusão mental
  3. Ligue 112 em situações de emergência, nomeadamente se houver sinais de sépsis ou deterioração rápida do estado de consciência
  4. Informe os profissionais de saúde sobre qualquer internamento hospitalar recente, procedimentos invasivos ou contacto conhecido com casos de Candida auris

Atenção: A Candida auris é particularmente perigosa em ambiente hospitalar. Se for ou tiver sido doente internado e desenvolver febre persistente sem causa aparente, informe de imediato a equipa médica.


Diagnóstico

O diagnóstico da Candida auris apresenta desafios específicos que importa conhecer.

Métodos de Identificação

A identificação correta da Candida auris pode ser difícil porque os métodos laboratoriais tradicionais, baseados em testes bioquímicos, podem confundi-la com outras espécies de Candida, como a Candida haemulonii ou a Candida duobushaemulonii. Por esta razão, são necessários métodos mais avançados:

  • MALDI-TOF: espectrometria de massa que permite identificação rápida e precisa da espécie
  • Sequenciação de ADN: análise genética para confirmação definitiva
  • Testes de suscetibilidade: determinação do perfil de resistência a antifúngicos
  • Rastreio de colonização: zaragatoas de pele (axilas, virilhas) em doentes de risco

Importância do Diagnóstico Precoce

O diagnóstico atempado é essencial porque permite iniciar o tratamento antifúngico adequado mais cedo, implementar medidas de controlo de infeção para evitar a propagação e identificar doentes colonizados que possam transmitir o fungo. Em Portugal, o Laboratório Nacional de Referência do INSA desempenha um papel central na confirmação laboratorial dos casos e na monitorização da resistência antimicrobiana.


Cuidados Gerais e Tratamento

O tratamento da Candida auris deve ser sempre orientado por profissionais de saúde especializados. As informações seguintes são meramente informativas.

Opções Terapêuticas

O tratamento de infeções por Candida auris é geralmente realizado em meio hospitalar e pode incluir:

  • Equinocandinas (como a caspofungina, micafungina ou anidulafungina): constituem, por norma, a primeira linha de tratamento para infeções invasivas
  • Anfotericina B lipossomal: pode ser utilizada como alternativa ou em combinação, dependendo do perfil de suscetibilidade
  • Novos antifúngicos: em casos de resistência múltipla, podem ser considerados fármacos em fase de aprovação ou em uso compassivo
  • Terapia combinada: a associação de múltiplos antifúngicos pode ser necessária em infeções por estirpes multirresistentes

Acompanhamento e Monitorização

O tratamento de infeções graves por Candida auris requer monitorização contínua, que pode incluir hemoculturas seriadas para confirmar a eliminação do fungo da corrente sanguínea, avaliação regular da função renal e hepática, monitorização de possíveis efeitos adversos dos antifúngicos e avaliação do perfil de resistência ao longo do tratamento.

Nota: Nunca se automedique com antifúngicos. O uso inadequado destes medicamentos pode contribuir para o aumento da resistência e agravar o problema a nível de saúde pública.


Prevenção

A prevenção da Candida auris é fundamental, tanto em contexto hospitalar como na comunidade.

Medidas em Ambiente Hospitalar

As unidades de saúde desempenham um papel central na prevenção da disseminação da Candida auris:

  • Higiene das mãos: lavagem com água e sabão ou desinfeção com solução alcoólica antes e após cada contacto com doentes
  • Isolamento de contacto: utilização de equipamento de proteção individual (luvas, bata) ao prestar cuidados a doentes colonizados ou infetados
  • Limpeza rigorosa: desinfeção de superfícies com produtos eficazes contra a Candida auris (a limpeza convencional pode não ser suficiente)
  • Rastreio ativo: zaragatoas de pele em doentes transferidos de unidades com casos conhecidos
  • Uso criterioso de antimicrobianos: evitar a prescrição desnecessária de antibióticos e antifúngicos de largo espetro

Recomendações para a População Geral

Para a população geral saudável, o risco de infeção por Candida auris é considerado muito reduzido. No entanto, existem boas práticas que contribuem para a proteção individual:

  • Higiene das mãos: lavar as mãos frequentemente, especialmente após visitar unidades de saúde
  • Cuidado com a automedicação: evitar o uso de antibióticos ou antifúngicos sem prescrição médica
  • Comunicação com os profissionais de saúde: informar a equipa médica sobre internamentos anteriores, especialmente no estrangeiro ou em unidades com casos conhecidos de Candida auris
  • Manutenção de um sistema imunitário saudável: alimentação equilibrada, exercício físico regular, sono adequado e controlo de doenças crónicas

Papel das Autoridades de Saúde em Portugal

Em Portugal, o INSA, através do Laboratório Nacional de Referência, monitoriza ativamente os casos de Candida auris e reporta-os ao Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência a Antimicrobianos da DGS. Esta informação é também partilhada com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).


Perguntas Frequentes (FAQ)

A Candida auris só afeta pessoas hospitalizadas?

A grande maioria dos casos de infeção invasiva por Candida auris ocorre em contexto hospitalar ou em unidades de cuidados continuados. A colonização (presença do fungo na pele sem sintomas) pode ocorrer em pessoas na comunidade, mas o risco de infeção grave em pessoas saudáveis é considerado muito baixo.

Existe vacina contra a Candida auris?

Não existe atualmente uma vacina aprovada contra a Candida auris. A investigação nesta área encontra-se em desenvolvimento, mas a prevenção baseia-se, por agora, em medidas de controlo de infeção e higiene rigorosa.

Posso ter Candida auris sem saber?

Sim, é possível estar colonizado com Candida auris na pele sem apresentar qualquer sintoma. A colonização pode persistir durante meses e a pessoa pode não ter conhecimento, a menos que seja rastreada especificamente para este fungo.

A Candida auris pode ser transmitida em casa?

Embora a transmissão ocorra predominantemente em ambientes hospitalares, existe um risco teórico de transmissão domiciliária a partir de uma pessoa colonizada. No entanto, para familiares saudáveis, o risco de desenvolver uma infeção grave é considerado muito baixo. Recomenda-se manter boas práticas de higiene.

Qual a diferença entre Candida auris e Candida albicans?

A Candida albicans é a espécie de Candida mais comum e responsável pela maioria das candidíases (como candidíase oral ou vaginal). A Candida auris distingue-se pela sua elevada resistência a antifúngicos, pela capacidade de sobreviver em superfícies hospitalares e pela dificuldade de identificação laboratorial. As infeções invasivas por Candida auris tendem a ser mais graves e difíceis de tratar.

A limpeza doméstica normal elimina a Candida auris?

A Candida auris pode ser mais resistente a alguns desinfetantes convencionais do que outras espécies de Candida. Em contexto hospitalar, são recomendados produtos de limpeza específicos. Em ambiente doméstico, a limpeza regular com desinfetantes à base de cloro pode ajudar a reduzir a carga fúngica em superfícies.

As crianças estão em risco?

As crianças saudáveis apresentam, por norma, risco muito baixo de infeção por Candida auris. No entanto, crianças internadas em unidades de cuidados intensivos neonatais ou pediátricos, com sistemas imunitários comprometidos ou com dispositivos médicos invasivos, podem estar em risco acrescido.


Conclusão

A Candida auris é um fungo emergente que representa um desafio significativo para os sistemas de saúde a nível mundial, incluindo em Portugal, onde foram confirmados casos em hospitais públicos desde 2022. A sua capacidade de resistir a múltiplos antifúngicos, de sobreviver em superfícies hospitalares e de se transmitir entre doentes torna-a uma ameaça que exige vigilância contínua.

Para a população geral saudável, o risco de infeção grave por Candida auris é considerado baixo. No entanto, pessoas com fatores de risco — nomeadamente doentes hospitalizados, imunodeprimidos ou com doenças crónicas — devem estar informadas sobre esta ameaça e comunicar qualquer sintoma suspeito à equipa médica.

Se apresentar febre persistente que não responde a antibióticos, especialmente após um internamento hospitalar, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) para orientação. Em situações de emergência, ligue 112.

Disclaimer médico: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui o diagnóstico, aconselhamento ou tratamento médico profissional. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para questões relacionadas com a sua saúde. Em caso de emergência, ligue 112.

Fontes e referências:

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